Casamento: Pra que te quero?

O casamento pode ser visto por vários ângulos: para uns, é o sonho realizado; para outros uma aposentadoria; talvez o sentido da vida; ou ainda um mal necessário. Tudo depende do ponto de vista e dos desejos de cada indivíduo. Seja querido ou não, quando acontece, precisa ser bem cuidado, do contrário não se justifica ter os ônus para não viver bem e em paz consigo mesmo.

Criar muitas expectativas, como se o casamento fosse a fonte da felicidade e a solução para seus problemas financeiros e, principalmente, emocionais, seria ao menos desapontador. Pois o casamento vai além disso, e envolve duas pessoas diferentes e que desejam, juntas, seguir uma vida feliz. Caminharão por entre sorrisos e lágrimas, conquistas e derrotas, festas e lutos, chegadas e partidas. Por isso, criar expectativas de que não haverá problemas é sair da realidade. O ideal é entrar com os pés no chão e sempre tentar ser cada dia melhor. Sempre focar no objetivo do casamento, que consiste em viver feliz a dois, respeitando a individualidade do outro.

O filósofo grego Plutarco, conhecido principalmente por suas obras Vidas Paralelas e Moralia, já tecia algumas considerações para se ter um relacionamento feliz. O site Mental Floss listou nove conselhos de sábios sobre relações amorosas e casamento. Citarei alguns deles que se observados, podem deixar um casamento um pouco mais feliz:

Aceite as picuinhas da pessoa amada: Na obra Moralia, o grego explica que homens, assim como os animais, são facilmente irritados por certos tipos de som ou cores – alguns homens "não podem aguentar a visão do vermelho ou do roxo". Cabe à mulher descobrir os incômodos do marido e evitá-los, para que vivam "em constante gentileza" um com o outro. 

Divirta-se com a pessoa amada, ou ela vai se divertir sem você: Plutarco acreditava que o casamento era uma união tão poderosa a ponto de transformar duas pessoas em uma só. Logo, é preciso passar tempo com o parceiro, para se divertir e rir junto com ele. Caso contrário, a diversão vai ser encontrada fora de casa. "Homens que não se divertem com suas esposas estão ensinando a elas que procurem seus próprios prazeres longe do marido", escreveu o grego. 

Sua sogra provavelmente será ciumenta: Então faça de tudo para compreendê-la. Plutarco dizia que "um jeito de curar a hostilidade é criar afeição por ela, sem afetar o relacionamento da mãe com seu filho". 

Para um relacionamento funcionar, ambos devem ter os mesmos traços de caráter: O casamento simplesmente não funcionará se ambos forem "más" pessoas ou se apenas uma delas for boa.

O tempo vai fortalecer a relação: Para Plutarco, as relações só ficam mais fortes com o passar do tempo. Ao dar um conselho para os recém-casados, o filósofo reforça que é preciso tomar cuidado com a discórdia, que pode enfraquecer a relação. Mas "depois de um tempo, quando estiverem realmente ligados, não podem ser separados nem por fogo nem por aço", reflete o grego. 

Casamentos entre classes sociais diferentes

Como dizem as pessoas “no início tudo são flores”, realmente, isso ocorre na maioria dos relacionamentos, que chamamos de namoro. O namoro dura em torno de 4 a 6 anos, depois desse período, entra em cena, os parentes e amigos, forçando ou empurrando para que um casamento ocorra. Também devemos nos lembrar dos namoros que com apenas meses ou poucos anos o casal já decide unir-se matrimonialmente. E há raras exceções, em que os namoros duram quase décadas, tendo alguns que ultrapassam dez anos.
Mas após meses, anos ou décadas de namoro é natural que o casal resolva ficar junto “até que a morte os separe”. E é a partir deste momento que tudo que era branco vira preto ou listrado. Você descobre pequenos defeitos do seu companheiro, como: “Eu não sabia que ele roncava tão alto, nem que rolava tanto na cama, detesto quando ele puxa as cobertas, odeio quando ele deixa a toalha molhada em cima da cama, não pensava que minha sogra ou sogro iriam nos visitar com tanta freqüência, não sabia dos amigos que o chamavam para dar aquela saidinha à noite e muito menos que ele detesta livros”... São descobertas e mais descobertas que conforme a intensidade do amor pode chegar a abalá-lo ou balançá-lo fortemente. Porém, pequenas divergências de costumes merecem ser engolidos ou suportados, afinal temos duas pessoas vindas de famílias e educações diferentes.
O alerta é para casamentos onde se há uma grande diferença de classe social, ou seja, uma pessoa de classe baixa se casa com uma de classe média ou de classe média alta. Nestes casos, a educação que se formou desde a infância, os bons modos, os hábitos de leitura ou estudo, o bom trato à mesa, o fino gosto por alimentos sofisticados e até mesmo o tipo de música, são fatores que, ao longo do tempo, irão pesar muito no relacionamento, pois são diferenças culturais que foram adquiridas por toda uma vida e o parceiro que é o oposto disso ficará com sua auto-estima abalada. Desse momento em diante, em que a paixão, o fogo ardente entre os lençóis diminui e a rotina e a dura realidade vem à tona, as diferenças culturais e de classes sociais irão surgir e pesar no relacionamento.
Quando é o homem que tem uma origem mais humilde, ele tende, por natureza, tentar diminuir a sua companheira. Isso é tão grave que muitos homens chegam a agredir a companheira verbalmente nos primeiros meses e depois passam às vias de fato, tudo visando diminuí-la, fazer com que ela se sinta pequena, idiota, sem qualidades. As ofensas e humilhações são tantas que a companheira chega a pensar que está no “lucro” tendo este homem com ela, pois imagina que nenhum outro homem do mundo iria enxergá-la e lhe dar o devido valor. Por isso, vemos e conhecemos casos de mulheres que eram importantes, imponentes, com uma alta estima admirável, que se gostavam e se cuidavam e depois de casadas passam a ficar deprimidas, com baixo astral, mal vestidas e muitas marcadas por atos agressivos de seus companheiros.
Já quando ocorre o oposto, ou seja, o homem é de uma classe social mais elevada que sua companheira, esta não será muito bem aceita por seus amigos e familiares, que num primeiro momento pensarão que são mulheres interesseiras. Mas com o passar do tempo, a mulher, para continuar casada, começará a mostrar suas garras, esquecendo-se que não tinha nada ou quase nada de onde veio, e largando a humildade de lado, passará a exigir, mesmo que sutilmente, tudo que nunca teve. É similar a uma criança esfomeada, que ao adentrar em uma padaria e sendo permitido comer o tanto quanto quiser, com certeza comerá até passar mal. Assim é uma mulher de classe social mais baixa. Do que ela puder usufruir, ela usufruirá e de uma forma nada natural, ou seja, gastará mais que o necessário, comprará roupas que não chegará a usá-las, trocará móveis de casa ou forçará seu companheiro a comprar um imóvel em curto espaço de tempo. Não satisfeita, ela passará a exigir que ele ajude aos familiares dela, e com isso, o homem sem perceber, já estará numa verdadeira teia de aranha, pronto para ser comido. Sem saída, o homem passa a satisfazer todos os desejos da companheira e com isso, além de desfazer de parte do seu patrimônio, passa a diminuir sua auto-estima, pensado que aquela pessoa é muito para ele. Este homem, depois de certo tempo, fica totalmente diferente do que era antes deste casamento. Passa a freqüentar ambientes nunca antes frequentados, a andar com pessoas de uma classe cultural totalmente divergente da sua e com tudo isso, acaba se tornando um homem menor do que ele é realmente.
Essas atitudes que tentam menosprezar a parte advinda de uma classe social mais alta, de diminuir o ego desta pessoa, de usurpar do seu patrimônio, distanciá-lo da sua realidade, dos seus amigos, e principalmente dos seus parentes e filhos, que são o espelho do que ele era antes de se casar com uma pessoa advinda de uma classe social menor que a dele, é uma realidade que muitos de nós ou de entes queridos estão passando ou já passaram. Quem passou e conseguiu sair vivo deste relacionamento é um exemplo de pessoa com muita garra e determinação, mas é uma pessoa que jamais será a mesma, pois o sofrimento que lhe foi proporcionado ao longo dos anos deixará cicatrizes incuráveis. Já aqueles que não têm forças para sair de um relacionamento destrutivo é uma pessoa que, com certeza, não tem uma boa qualidade de vida, não convive como antes, com seus entes queridos, pois eles são automaticamente distanciados por seu parceiro, que tentará colocar defeitos na maioria deles e a fantasiar brigas e conversas somente para evitar os parentes do companheiro(a), pois perto deles, a pessoa de classe inferior se sente diminuída, principalmente diante dos mais bem sucedidos. 
Em resumo, a pessoa que se encontra em um relacionamento com outra de classe social oposta é uma pessoa que está simplesmente deixando a vida passar por entre seus dedos, sem fazer absolutamente nada para sair do caos em que se encontra e quando resolver encarar uma separação conhecerá a origem daquele que um dia chamou de “meu bem”.
“O amor e a razão são dois viajantes, que nunca vivem juntos na mesma hospedaria: quando um chega, parte o outro”. Walter Scott

 

Filho predileto

Segundo a Bíblia, em Lucas, o filho pródigo, ao receber parte dos bens do pai, põe-se a consumir tudo com a vida e com meretrizes, até que seus bens se acabam e ele volta para casa do pai, onde é recebido com muita alegria e festa. Já o filho que sempre esteve trabalhando e ajudando seu pai, se sente injustiçado. É quando o pai lhe diz: “Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.” Lucas 15:31-32

Nossa realidade atual tem um pouco dessa história; todos conhecem casos em que um filho é mais privilegiado que o outro. Se pensar em uma família qualquer, com três ou quatro filhos, possivelmente encontrarão filhos diferentes em comportamento social e emocional; uns mais rebeldes, outros bem comportados; uns apáticos e uns mais carismáticos; uns religiosos e outros ateus; uns com brilho profissional e outros, vamos dizer, com pouca sorte. É a famosa frase, onde se na própria mão nem os dedos são iguais, por qual motivo os filhos seriam iguais?

O curioso é o motivo que leva alguns pais a preferirem determinados filhos, mesmo sendo estes filhos, em muitos casos, os mais rebeldes, que lhes dão prejuízo financeiro, que nunca aparecem para uma festa de Natal ou de final de ano, que nunca estão com os pais no dia de seus aniversários. Que usam sempre a velha desculpa: não tenho dinheiro para visitá-los, para ligar e para lhe dar um presente qualquer. Mas que nunca esquecem seus telefones, pois, quando o dia a dia aperta, sabem onde pedir ajuda financeira.

E quanto aos filhos que alcançam sucesso profissional, familiar ou pessoal e são respeitados pela sociedade ou comunidade em que vivem? Aqueles filhos que deveriam ser motivo de orgulho para os pais. Aqueles que nunca decepcionam seus pais, que nada querem em troca, só querem dar amor e ter seus pais por perto? Estes, infelizmente, em alguns casos, não são os preferidos ou queridinhos dos pais, e sempre são deixados em segundo plano, e tudo que fizerem ou passarem na vida nunca terão o ombro dos pais ou seus aplausos, afinal são vistos pelos pais, ou por um deles como sortudos ou abastados.

O problema disso reside em uma errada interpretação da realidade, onde os pais enxergam os filhos irresponsáveis como eternas crianças, precisando sempre ser paparicados, e isso acaba tornando esses filhos cada vez mais irresponsáveis. Ao mesmo tempo, estes pais sentem culpa se amarem os filhos que consideram mais responsáveis. É como se amando o filho mais bem sucedido profissionalmente, emocionalmente ou socialmente, estariam menosprezando o filho oposto nestas virtudes. Isso faz com que esses pais não convivam e nem amem, como deveriam, os filhos que não são problemáticos.

O resultado são famílias desestruturadas ou infelizes, que deixam de viver bons momentos em família, para lamentar a sorte na vida de um filho e o azar na vida do outro; pais amargos por viverem exaustivos problemas que os filhos “preferidos” trazem para suas vidas; filhos perfeitos e maravilhosos, mas carentes afetivamente.

O correto e que acontece na maioria das famílias é sabermos amar nossos filhos incondicionalmente; claro que, se vierem a cometer algum deslize, serão responsabilizados por seus atos, pois estamos criando pessoas para a vida, e, para serem bem sucedidas, as pessoas devem ter caráter, nunca mentindo, simulando ou extorquindo um dos pais. Mas jamais saberíamos deixar de amar um de nossos filhos porque ele simplesmente ama os estudos, luta pela vida e quer ser um exemplo de orgulho para seus pais.

E como dizia o mestre Cafunga: “Hoje no Brasil, o errado é que é o certo”.