Separações conflituosas, lágrimas e despedidas!

Fernanda Vargas é mãe, esposa, filha, madrasta e enteada, advogada especializada em direito tributário e sócia do Martins Freitas Advogados Associados desde 2002.

Pós-graduada em tributário pela FGV, docente em ensino superior pela Fumec, MBA em gestão tributária pela UGF e inúmeros cursos de especialização em apurações fiscais e atualizações tributárias.

Ex conselheira do Grupo de Apoio à Adoção de Volta para Casa de Divinópolis.
Teve seus artigos publicados em diversos jornais e revistas como Xeque Mate, Jornal Agora, O Papel, Gazeta Paraminense, Glamour e outros.

Colunista na área comportamental onde fala das idas e vindas no amor e nos relacionamentos entre pais e filhos; lágrimas e sorrisos; despedidas; encontros e desencontros, e também, reencontros; conflitos familiares e a VIDA COMO ELA É!

Ciúme e inveja no ambiente organizacional

Para falar do ciúme e inveja no ambiente de trabalho, primeiramente temos que fazer algumas considerações sobre estes dois sentimentos de uma forma geral.

Ciúme e Inveja

O ciúme é um sentimento primário, que está presente em todos os seres que se relacionam de forma afetiva. Não escolhemos ter ciúme. Ele simplesmente acontece quando nosso objeto de afeto canaliza sua atenção para outra pessoa ou outra coisa. Pessoas têm ciúme, animais mais evoluídos também têm. O que diferencia um ciumento de outro é a intensidade e a forma como se lida com este sentimento. Como somos seres cognitivos e sociais, assimilamos a necessidade de domar os nossos impulsos primários, e podemos escolher racionalmente como nos comportar diante de um sentimento. Muitas vezes esta escolha sai do nosso controle e a manifestação do ciúme pode ser inadequada. Isto varia muito de pessoa para pessoa, e também do momento de vida e da maturidade de cada indivíduo.

Já a inveja é um sentimento mais elaborado. Ela aparece a partir de valores assimilados pelas pessoas, e pode ser definida como o desejo de ser como o outro é, ou ter o que o outro tem. Todos nós, seres humanos, já experimentamos este sentimento, que é natural e espontâneo. A inveja pode ser classificada como produtiva ou destrutiva, dependendo de como a pessoa se posiciona diante deste sentimento. Podemos ter a inveja “do bem”, que é aquela que surge a partir de uma admiração por outra pessoa, que faz com que nos espelhemos nela como inspiração para nossos comportamentos, mas não queremos competir com ela. Queremos ter também algo que ela tem, mas não queremos tomar o que é dela. Neste caso a palavra que define a inveja é a inspiração.

Porém podemos ter também a inveja “do mal”, que mobiliza sentimentos destrutivos. Neste caso a pessoa se ressente pelo que o outro é, pelo brilho que ele tem, pelos afetos que provoca e pelas coisas que possui. A pessoa não coloca o foco no próprio crescimento, mas na aniquilação do outro. Neste caso a palavra que define a inveja é a destruição.

No blog do Yuri fala que quem sofre com ciúmes é que tem ciúmes e isso é negligenciado pelo parceiro, dado como exagero. – “entenda quem sofre com ciúmes” segundo o neurocientista Yuri Busin.

Como o ciúme e a inveja se manifestam no ambiente de trabalho?

O ambiente de trabalho é um solo fértil para manifestação destes dois sentimentos por várias razões. Por ser o centro da vida da maioria das pessoas, no trabalho vivenciamos nossas potencialidades, nossas habilidades, nossa vaidade, e também nossos medos e nossas fragilidades.

Pela grande competitividade, principalmente nos ambientes corporativos, a insegurança e a necessidade de apresentar os melhores desempenhos faz com que estes sentimentos se manifestem muito comumente na sua forma mais inadequada e destrutiva.

Isto costuma atrapalhar bastante o clima da organização, pois o foco sai da produtividade e do trabalho em equipe, e passa para a resolução de questões pessoais, muitas vezes sem fundamento, com prejuízo do bom andamento do fluxo dos processos.

Como um líder pode lidar com o ciúme e a inveja na empresa?

Cabe ao líder da equipe lidar com estas questões com serenidade e assertividade. O processo de conscientização sobre estes sentimentos pode ser a primeira chave para mudar o comportamento das pessoas, que muitas vezes funcionam no “piloto automático” em relação aos seus sentimentos. Na maioria das vezes os indivíduos não têm consciência do que está provocando um sentimento inadequado e ruim. Inevitavelmente é um pensamento recorrente, resultado de valores distorcidos e passíveis de revisão.

Todo sentimento vem de um pensamento e resulta em um comportamento, ou seja:

Pensamento gera Sentimento que gera Comportamento.

Quando aprendemos a escolher nossos pensamentos, podemos direcionar os nossos sentimentos, o que resulta em comportamentos mais adequados para nossa vida e mais produtivos para a harmonia das nossas relações, sejam elas pessoais ou profissionais.

O trabalho do líder passa pelo processo do desenvolvimento da consciência e do auto conhecimento da sua equipe. Sentimento reconhecido compreendido e validado é sentimento passível de ser domado e adequado.

Enfim, um líder deve estar sempre atento para o seu próprio desenvolvimento para poder auxiliar a sua equipe nesta auto descoberta, que certamente formará pessoas melhores, mais adequadas e mais felizes.

 

Live com Fernanda Vargas e Welber Tonhá.

Live Fernanda Vargas com Welber Tonhá sobre lançamento do livro 109 Histórias Marcantes

Alguns terão sorte, mas nem todos terão tempo para despedidas na porta do CTI

Desde março de 2020, muitos conhecidos já ficaram na sala de espera de uma UTI ou de um CTI, esperando notícias de um parente querido internado com Covid. Grande parte destas pessoas que conheci disseram que mudaram suas vidas após esta experiência. Literalmente, viram que a vida realmente é uma só e que, muitas das vezes, não terão tempo para se despedir de quem amam e muito menos para pedir perdão. Quem teve a sorte de se recuperar do Covid viu que a vida é muito frágil para não serem gratos agora. Seja a pessoa que se recuperou do Covid e teve mais uma chance na vida, seja o parente que ficou dias na porta do hospital, a maioria destas pessoas, possivelmente, aprendeu que a vida é curta demais e que precisam amar mais, reclamar menos e agradecer sempre.

 A sala de espera da UTI é um local onde todos os dias, num horário fixo, várias famílias passam a se conhecer, trocam suas histórias, seus lamentos e medos. Viram uma grande família, uma torcendo pela melhora do familiar alheio; e isso é muito mágico, pois demonstra como o ser humano, no momento da dor, torna-se tão companheiro, compreensível e prestativo.

 Em fevereiro deste ano, minha mãe, Maria Eni Vargas, ficou por quase trinta dias dentro de um hospital. É simplesmente aterrorizante como uma pessoa saudável chega a ficar totalmente inválida em uma cama após ter Covid na forma grave. Somente quem trabalha na área de saúde ou quem presenciou algum parente no leito de um hospital, por causa do Covid, sabe exatamente do que estou falando. A pessoa perde simplesmente seus movimentos, suas forças e se torna incapaz de se colocar em pé, por alguns minutos, sem precisar de oxigênio e ajuda. É imaginável o que este vírus faz com um ser humano.

Nesses quase trinta dias que estive diariamente no hospital para ter notícias da minha mãe, eu conheci a porta da tristeza e da dor. Esta porta dá acesso aos leitos do UTI ou CTI. Após um parente passar por esta porta, entrando, pode acontecer, infelizmente, de ser a última vez que você o verá.

 Presenciei, nestes dias no hospital, muitos filhos não conseguirem se despedir de seus pais; é muita dor num único local. Tudo acontece tão rapidamente que as pessoas não têm tempo de assimilar nada; como um filho que não conseguia compreender como que o seu pai com apenas cinquenta anos e que estava apenas alguns dias atrás cuidando da roça poderia estar morto? Como uma mãe que estava em casa feliz e saudável, em apenas quatro dias estaria entubada? Conheci uma pessoa incrível que perdeu, num único mês, seu sogro e sua mãe; e um dos casos que mais me chocou foi de um senhor de mais de oitenta anos que chegou aflito ao hospital, pois sua mulher havia chegado minutos antes de ambulância e ele disse: eu só queria me despedir... E é a mais dura realidade: não dá tempo de nos despedirmos. Poucos terão a sorte de reencontrar o ente querido.  

 Diariamente, na sala de espera por notícias, você vê a fragilidade humana de perto, você presencia o amor, a gratidão e o lamento daqueles que choram dizendo: por que eu não dei apenas mais um abraço, por que eu não o visitei só mais uma vez, por que eu não me desculpei, por que eu perdi tanto tempo discutindo por coisas que agora não têm nenhum valor. É um verdadeiro drama emocional. Nesta sala de espera, sempre alguém terá uma notícia desagradável, como uma piora, um entubamento, uma perda...

 A porta da tristeza e da dor da UTI às vezes se torna a porta da esperança, e eu fui uma das pessoas que presenciou esta porta se abrir. O dia que minha mãe saiu do CTI, mesmo sem conseguir andar, eu me senti abençoada. Foi triste sair daquele andar do hospital, deixando para trás, vários filhos que ainda ficariam dias ou semanas seguidas na sala de espera olhando por algumas horas a porta da dor e da esperança.

 Mas toda dor tem seu ensinamento, e foi com tamanha dor que aprendi muitas coisas. Uma delas foi que se você quer mudar algo em você, precisa ser agora, pois não existirá outra chance. Nem mesmo na única certeza que temos que é a vida atual, não se pode ter certeza alguma, não existe garantia de que você terá ainda mais dez anos para realizar seus sonhos, para concluir seu curso, para se casar, para mudar de emprego, para fazer as pazes ou para pedir perdão.

 Você não precisa perder quem você ama como marido, filhos, amigos e parentes para se lamentar eternamente devido ao remorso e ao sentimento de culpa. A gratidão significa ser grato, ser agradecido pelo o que fizeram por você ou para você. E temos que ser gratos em vida. “ Os mortos recebem mais flores do que os vivos porque o remorso é mais forte que a gratidão” (Diário de Anne Frank).

 A vida é muito curta para viver discutindo, para viver brigado com os pais e irmãos, a vida é muito curta para viver reclamando de tudo e de todos, a vida é curta demais para culpar eternamente alguém pelas suas frustrações. A vida é muito curta para não ser feliz agora.

 "Enquanto essa vacina tão esperada não chega para todo mundo, é bom lembrar que contra o preconceito, intolerância, a mentira, a tristeza, já existe vacina: é o afeto, é o amor. Então, diga o quanto você ama a quem você ama. Não fique só na declaração, não, gente. Ame na prática, na ação. Amar é ação, amar é arte" Paulo Gustavo

 

 

Ninguém sonha em ser madrasta! É um cargo que ninguém cobiça!

Quando criança, a maioria das minhas amigas sonhavam em se casar, algumas sonhavam em ter filhos e outras sonhavam apenas em trabalhar. Já tive amigas que sonhavam em ser delegada, aeromoça, modelo, médica, veterinária e, um dia, achar um príncipe encantado, casar e ter filhos... A maioria das minhas amigas conseguiram, são felizes em seus castelos com seus príncipes.

Mas não conheci ninguém na minha infância, adolescência e nem na fase adulta que sonhou em ser madrasta. Acho que seria loucura demais para alguém jovem querer um pesadelo deste.

Seria de uma insanidade desejar: Quero encontrar um homem divorciado, bem mais velho do que eu, que tenha uma despesa fixa com a família anterior, que não seja da idade dos meus amigos e que tenha filhos que jamais irão me tolerar. Quero um homem que me traga mais problemas que soluções e que me renda boas sessões de terapia! Isto é um pesadelo! Ninguém sonha com isso. Ninguém!

 Quando nos casamos, não pensamos, em um primeiro momento, que iremos nos separar; as separações acontecem por motivos totalmente alheios à nossa vontade. Grande parte dos relacionamentos dão muito certo e na verdade não podemos julgar que um casamento que durou poucos anos não deu certo: na verdade deu certo por um determinado período de tempo, apenas não durou até a morte de um dos cônjuges. Mas nem todos têm escolhas acertadas, ou até mesmo sorte, e a vida de muitos casais tomam caminhos tão diferentes que, em curto espaço de tempo, encontram-se divorciados.

Faz parte da natureza humana querer estar ao lado de alguém, e não é porque você se separou, seja o motivo qual for, que você será condenado a viver sozinho para sempre. Infelizmente, a quantidade de divórcios tem aumentado, e com isso está se tornando natural as pessoas refazerem suas vidas afetivas e se casarem pela segunda vez. E toda pessoa, ao procurar um novo relacionamento, pelo menos tenta achar alguém “leve e solto”. Embora o amor quando chega para valer é “firme e forte”. Ele derruba seus planos e muitos dos seus sonhos.

 E quando o seu novo “príncipe encantado” já tem seus próprios filhos, será a vez de saber como madrasta se você tem sorte ou azar na vida. A maioria das madrastas, ao conhecer os enteados, tentará agradá-los, respeitá-los, dar-lhes carinho e cuidar deles tão bem quanto seus pais. Jamais se cogita em substituir uma mãe viva. Ao contrário dos contos de fadas, onde a madrasta entrava em cena, quando o homem ficava viúvo, aí se tornava a mãe substituta.

O problema é que a madrasta nem sempre será bem-vinda. As pessoas gostam de achar problemas aonde não existe, gostam de ser vítimas e achar culpados.

As madrastas sofrem muito devido ao excesso de comparação, pois em tudo que ela for pior que a primeira esposa ela será criticada e em tudo que for melhor ela será odiada. Dificilmente agradará: isto é uma maneira inconsciente que os filhos encontram de demonstrar para a mãe que ela é melhor. Mas isso, a longo prazo, gera infelicidade e distancia as pessoas.

E é doloroso entrar em um relacionamento onde sem ao menos conhecerem a nova mulher do pai, ela já é vista e rotulada como a madrasta dos contos de fadas.

A realidade é mais fácil se for vista do coração e não por meio de crenças ultrapassadas de que, pelo simples fato de ser uma segunda esposa, consequentemente é má, veio fazer o mal ou veio explorar o outro. E a maioria das madrastas entram com as melhores das intenções, entram para somar e agregar valores. O mundo não pode ser visto como se a maioria das pessoas fossem ruins. Ao contrário, a maioria das pessoas são boas e querem o bem.

 Nunca sonhei em ser madrasta e ter uma madrasta, mas a vida me colocou nesta posição. Eu, como enteada, vejo em minha madrasta uma segunda mãe e uma amiga e, o fato de aceitá-la é a forma que existe para eu demonstrar respeito pelo meu pai. É a forma de demonstrar para minha mãe que o meu coração é grande demais e que é possível amar as duas e de formas diferentes. Minha querida madrasta Eliza é a mulher que está ao lado do meu pai há quinze anos, cuidando dele. Não seria justo eu querer fazer da vida deles um inferno. Como não desejo isso para a minha vida.

Os enteados deveriam passar a respeitar mais seus pais e parar de culpar as madrastas por tudo que acontece em suas vidas, deveriam também parar de fazer julgamentos. Pois a partir do momento que você julga alguém, você será julgado; a partir do momento que apontar o dedo em direção a alguém terá de volta três dedos das mãos apontados para você. O coração de todo mundo é grande e cabe muitos pais e muitas mães. E a vida é curta demais para viver cultivando o ódio, culpando o pai por uma separação de anos ou até décadas. A vida é curta para não virar a página, para ficar rabiscando em coisas que já deveriam estar superadas. Amar só faz bem! Então: ame. “Perdoe o que puder ser perdoado e esquece o que não tiver perdão”. Engenheiros.