Afastamento involuntário da convivência entre pai e filhos

É comum que uma separação motivada pela existência de uma terceira pessoa deixe mágoas, cicatrizes e uma certa sede de vingança. Mas essa fúria inicial tende a melhorar com o passar do tempo. Esse momento que chamamos de “luto” dura de seis meses a um ano e meio. Ocorre que há pessoas que se prendem a essa dor por anos e anos, chegando ao ponto de não pensar em mais nada a não ser na mágoa gerada pela traição do outro cônjuge. A solução para tal problema é o cônjuge que deu ensejo à separação não manter contato com o cônjuge abandonado, pois isso além de reviver as mágoas, pode ser um sinal de esperança para o outro. Ocorre que, nem sempre será possível se afastar completamente do outro se,dessa união, o casal teve filhos. 
Os filhos, além de se sentirem desamparados, com medo e com a dor da ausência diária de um dos pais, ainda podem se tornar vítimas do genitor que se sente traído ou abandonado. E o problema tende a se agravar quando o antigo casal disputa a guarda dos filhos. Pois aquele que tem sede de vingança não vai abrir mão do seu filho, primeiro por amor, mas em segundo lugar, por querer o filho como uma arma e uma fonte de ligação com seu ex companheiro. Assim, o filho estando sob sua guarda, será usado como escudo e espada de guerra contra o ex companheiro. Essa vingança tem o nome de Síndrome da Alienação Parental (SAP) e está totalmente relacionada a situações onde a ruptura da vida conjugal gera, em um dos pais, uma tendência vingativa muito grande. 
Síndrome de Alienação Parental é o termo proposto por Richard Gardner em 1985 para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina pararomper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. No Brasil, esse tipo de comportamento é punido e pode gerar até mesmo a perda da guarda do filho. Segundo o artigo 2º da Lei nº 12.318/2010 que dispõe sobre a alienação parental: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.”
Uma das formas de averiguar se você está sendo vítima do SAP é observar atentamente a várias situações, como:
* No dia do direito de visitar os filhos a casa encontra-se vazia, os filhos não estão lá e não há recado algum;
* O controle excessivo das visitas e dos locais onde o genitor passará as férias com seus filhos ou os finais de semana;
* O genitor fica ausente de informações sobre a vida dos filhos: Como notas escolares, vida cotidiana, reuniões em escolas, visitas a médicos, dentistas e outros eventos sociais;
* Há casos em que o pai que não detém a guarda é surpreendido quando o filho lhe mostra o boletim escolar com a palavra: REPROVADO. Nesse caso, o filho já mostra o boletim e uma frase já treinada: “A culpa é sua por ter nos abandonado”!
* Mas a pior das ações é quando o genitor vingativo consegue sua missão, faz com que o filho enxergue o pai ou a mãe ausente como um verdadeiro monstro, um ser irresponsável e deprimente, com frases simples do tipo: Ele nos deixou, não gosta da gente, gasta todo seu tempo e dinheiro com a outra/o, ele acabou com minha vida meu filho, ele está irreconhecível depois que nos abandonou, vive com más companhias, está gastando todo o nosso dinheiro e por aí vai maldades que devem ser punidas a partir de agora.

Se você se assemelhou com o texto acima, procure ajuda judicial, não deixe que o tempo acabe com o relacionamento entre pai e filho, isso pode ficar irreparável com o passar dos anos. E cada filho é único e a ausência de um dos pais na sua formação faz muita diferença de como essa pessoa conduzirá sua vida e suas emoções na fase adulta. O pai que abusa do poder de guarda e joga seu próprio filho contra o outro, não sabe o que é amar, essa pessoa precisa de tratamento e não de apoio de amigos e parentes. Esses atos de alienação parental devem ser repudiados e punidos judicialmente. Pois ninguém tem o direito de destruir o relacionamento entre pai e filho. Não existe ex pai e ex mãe, apenas ex marido e ex mulher.