Sorte daquele que não convive com uma pessoa soberba

Uma pessoa acometida pela soberba, um dos sete pecados capitais, é uma pessoa infeliz, que vê o mundo de outra forma. Trata-se de uma pessoa possuída pelo orgulho, totalmente pretensiosa e que se acha melhor que as demais. Soberba é um substantivo feminino, do latim supervia, que significa elevação, presunção, orgulho, é uma manifestação negativa que denota pretensão de superioridade.

William Shakespeare ao comentar sobre a soberba diz que: “Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador”. Significa que pessoas orgulhosas gostam de ter ao seu lado bajuladores, e estes são tratados como objetos que são utilizados apenas para satisfazer as mais variadas vontades do orgulhoso. Essas pessoas geralmente gostam de ficar à frente de associações, federações, ONGs e entidades de um modo geral, apenas para se verem rodeadas por bajuladores. Uma pessoa assim, geralmente gosta de ser política ou presidente do que quer que seja, pois, nestes cargos, poderá ser bajulada como uma criança mimada. Este tipo de comportamento demonstra que uma pessoa orgulhosa, pretensiosa e que se acha melhor que as demais, na verdade possui uma autoestima baixa; no fundo sabe que não é melhor que ninguém e se sente até mesmo pior que muitas pessoas.

Para quem é obrigado a conviver com pessoas assim, a vida vira um wobble, um tipo de dança onde se balança para um lado e para o outro, ou seja, você vive tentando agradar de qualquer modo essa pessoa doente, pois, do contrário, o orgulhoso se torna irado, uma vez que não sabe ter seus desejos negados, não aprende a ouvir nãos e vive em um mundo em que tudo e todos devem girar ao seu redor. A pessoa orgulhosa, altiva e soberba está dominada pela arrogância. Não se importa em gritar e falar alto com os outros e nem mesmo se preocupa como irão se sentir. Quando se sentem ameaçados por alguém que possa ter mais talento que eles, a ira toma seus corações, o orgulhoso faz o que for necessário para não perder seu posto de “o melhor”, “o perfeito”, “o caridoso”...

Podemos citar casos de pessoas assim em diversas ocupações. Profissionalmente, alguém que ocupa um cargo maior que ele mesmo, vai se utilizar da arrogância para não se sentir ameaçado. Uma pessoa assim é capaz de tudo para tirar do seu caminho colegas que julga ser melhor que ele.  Na vida familiar, encontramos com frequência mulheres ou homens rejeitados no casamento, e que, para se sentirem melhores, julgam ser o pai ou a mãe ideal, aquele que dá amor de verdade, aquele que está para o que der e vier, tudo para destoar do ex-cônjuge, de modo que este pareça ser o ausente, o fraco, o perdedor, o pai caixa de banco e não o pai presente. Já na vida social é muito mais frequente encontrarmos pessoas possuídas deste mal, a soberba. É frequente o grande número de pessoas acometidas pela soberba presidirem entidades sem fins lucrativos, mas sem se entregarem à causa, ou seja, querem que todos doem suas economias para a entidade, mas ele próprio não o faz como exemplo. Gostam muito de fazer caridade com o chapéu alheio. E perante a sociedade são vistos como guerreiros, caridosos, santos, pessoas com a alma melhor que as outras. Isso é um viés da realidade.

Para a Igreja Católica, soberba é um dos sete pecados mortais, e contra ela se prega a virtude da humildade e da modéstia. São Thomas de Aquino determinou sete características como inerentes ao orgulho: Jactância - Ostentação, vanglória, elevar-se acima do que se realmente é; pertinácia – Uma palavra bonita para “cabeça-dura” e “teimosia”. É o defeito de achar que se está sempre certo; hipocrisia - o ato de pregar alguma coisa para “ficar bem entre os semelhantes” e, secretamente, fazer o oposto do que prega. Muito comum nas Igrejas; desobediência – por orgulho, a pessoa se recusa a trabalhar em equipe quando não tem suas vontades reafirmadas; presunção - achar que sabe tudo. É um dos maiores defeitos encontrados nos céticos e adeptos do mundo materialista. A máxima “tudo sei que nada sei” é muito sábia neste sentido; discórdia - criar a desunião, a briga. Ao impor nossa vontade sobre os outros, podemos criar a discórdia entre dois ou mais amigos; contenda - é uma disputa mais exacerbada e mais profunda, uma evolução da discórdia onde dois lados passam não apenas a discordar, mas a brigar entre si.

Se você se identifica com as características da soberba nunca é tarde para procurar ajuda e tentar amenizar esse lado doentio que magoa as pessoas, pois, onde reina a arrogância, reina a tristeza e se distancia da paz. É um perde-perde, ninguém ganha sendo ou convivendo com uma pessoa arrogante, orgulhosa ou simplesmente soberba.