Nunca sonhei em ser madrasta

Quando criança, pensávamos em ser delegada, aeromoça, modelo e, um dia, achar um príncipe encantado, casar-nos e ter filhos... Nunca sonhávamos e nem sequer conheci alguém que sonhou em ser madrasta.

Mas a vida nos prega peças, a vida dá voltas e, às vezes, surpreende-nos com coisas boas e ruins.

Quando nos casamos, não pensamos, em um primeiro momento, que iremos nos separar; as separações acontecem por motivos totalmente alheios à nossa vontade. Não imaginamos, ao nos casar, que as despesas irão gerar discussões, que os parentes não serão tão amáveis quanto na época do namoro, que intrigas desnecessárias irão afastar a pessoa a quem um dia juramos amor eterno. E são infinitas e inesperadas as situações que levam casais a se separarem.

Geralmente, quando nos casamos pela primeira vez, é como se vivêssemos um verdadeiro conto de fadas e o primeiro filho dessa relação é o maior presente que Deus pode presentear o novo casal. Mas nem todos tem escolhas acertadas,  ou até mesmo sorte, e a vida de muitos casais  tomam caminhos tão diferentes e, em curto espaço de tempo, encontram-se divorciados.

Como a vida dá voltas, muitos irão tentar refazer sua vida afetiva e acabarão casando novamente, mas jamais uma mulher pensa ou procura ser madrasta, isso é uma consequência advinda do segundo casamento.

Após iniciar um novo relacionamento, onde seu mundo volta a ficar mais colorido e bonito, você tem o primeiro choque ao descobrir que seu novo príncipe encantando já tem seus próprios filhos. Naturalmente, qualquer pessoa irá querer conhecê-los, afinal são filhos do seu novo amor.

Ao conhecer seus enteados, a maioria das mulheres tentará, a ferro e fogo, agradá-los, cativá-los, dar-lhes amor, carinho e cuidar deles tão bem quanto seus pais. Jamais cogita em substituir uma mãe viva. Ao contrário dos contos de fadas, onde a madrasta entrava em cena, quando o homem ficava viúvo, aí se tornava a mãe substituta dos filhos do seu marido.

Mas hoje, separações, infelizmente, fazem parte da vida de muitas famílias. E as pessoas separadas, ainda jovens, querem refazer suas vidas afetivas.

Ninguém, em sã consciência, ao procurar um novo amor, coloca em sua lista um homem divorciado e com filhos, isso seria loucura ou puro sadismo. Mas o amor não tem endereço e nem tempo marcado, ele simplesmente acontece.

E é doloroso entrar em um relacionamento onde sem ao menos te conhecerem você já é vista como a madrasta dos contos de fadas: “a mulher que veio para abandonar os filhos que não são seus em uma floresta”.

A realidade é mais fácil se for vista do coração e não por meio de crenças ultrapassadas de que, pelo simples fato de ser uma segunda esposa, consequentemente é má e veio fazer o mal.

 

“Nunca sonhei em ser madrasta, mas se a vida me deu essa oportunidade, tentei e ainda tento, de todas as formas e com todas as minhas forças, até mesmo quando penso que não as possuo mais, em ser uma boa pessoa, em acrescentar coisas boas nas vidas dos filhos do meu marido, seja ensinamentos, exemplo ou carinho”.