Não olhe para trás, não é para lá que você vai!

A vida segue sempre em frente e o tempo é o melhor remédio para qualquer mal. Viver preso ao passado, nas lembranças boas e que não voltam mais, nas decisões desacertadas e nas escolhas erradas é sinônimo de escolher o caminho mais triste a seguir.

Ao mesmo tempo em que viver preso ao passado não trará felicidade, ter excessiva preocupação com o futuro e deixar de ser feliz agora, também não garantirá a felicidade. Claro que devemos aprender com os erros do passado, para evitar de cometê-los novamente, mas o presente, tem já em seu nome a explicação: é um presente!!!

Você tem que aprender a usar o presente que a vida te dá a cada novo dia! É sinal de sabedoria saber viver cada dia de forma única, apenas lembrando-se do que passou de ruim e onde errou como forma de aprendizado, mas sem se punir eternamente pelos seus erros ou se vitimizar para sempre com o sofrimento que ficou no passado.

Ao mesmo tempo que deve usar o passado apenas como aprendizado ou lembranças de dias felizes, você precisa ter esperança de uma vida longa, tranquila e saudável e preparar-se para viver esses anos da melhor forma possível. Mas lembre-se: ter uma vida avarenta, como se nunca fosse morrer é tolice, do mesmo modo que viver de forma desenfreada e gastando tudo ou mais do que ganha, como se nunca fosse envelhecer ou adoecer é uma burrice. Você precisa aprender a dosar: o passado te ensina, o presente você vive e o futuro você se prepara para ele apenas vivendo bem o agora.

Viver preso ao passado ou viver apenas para um futuro incerto, nunca trará a paz que tanto procuramos. De maneira consciente ou não, sempre buscamos a paz, mas nem sempre a alcançamos. Talvez isso ocorra pelas próprias decisões que tomamos ou pela própria carga que nos obrigamos a carregar. 

O mundo é por natureza um moeda com dois lados, temos os dias bons e os ruins; temos as alegrias com os nascimentos em família e os momentos de sofrimento com a partida de entes queridos; temos a alegria de um casamento e a dor de uma separação; temos a alegria com os nossos filhos estudando e criando planos para uma vida de sucesso, mas infelizmente,  muitos de nós passam ou já passaram pelo sofrimento com a dor de filhos que se perdem de si mesmos, ou quando procuram empregos e não encontram, ou quando se separam de seus relacionamentos. 

Sempre quando estiver vivendo o lado ruim da moeda da vida, você precisará se lembrar que terá o lado bom, a cada novo dia a moeda é sempre jogada para o alto, embora nunca sabemos de que lado irá cair. 

No último ano, como nunca, vivemos um momento de incerteza. A morte ficou mais perto e nos ronda de forma silenciosa por meio do Covid 19. Podemos estar felizes agora, fazendo mil planos, dispondo de uma boa saúde e perdermos tudo, inclusive a vida, por causa deste vírus mortal.

A ansiedade, a insegurança e o medo estão presentes na vida e pensamento de muitos de nós. Mas é justamente esse medo de morrer ou perder quem amamos que nos fez vermos, talvez pela primeira vez em nossas vidas, de uma forma bem mais clara, o valor que a vida tem. Como diz a música de Gonzaguinha: “E a vida, o que é? Diga lá, meu irmão. Ela é a batida de um coração. Ela é uma doce ilusão. Êh! Ôh! E a vida. Ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão. Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, é uma gota, é um tempo que nem dá um segundo...Somos nós que fazemos a vida. Como der, ou puder, ou quiser. Sempre desejada. Por mais que esteja errada. NINGUÉM QUER A MORTE, SÓ SAÚDE E SORTE!”

E a morte é a coisa mais certa que existe no mundo. Ninguém, por mais rico, mais saudável e mais inteligente que possa existir, escapará da morte. Ela é democrática e alcança todos. Mas nunca queremos pensar nela. Vivemos como se nunca fossemos morrer. Isso é um erro! Então viva intensamente o dia de hoje, pois estamos em uma fila que se chama vida e ao final dela há uma catraca que se chama morte e que você nunca poderá saber qual o lugar que ocupa nesta fila.

Então viva serenamente e não alimente a ansiedade, pois ela também mata. Preocupe-se em cuidar de você. Mas não crie problemas que não existem, não antecipe um sofrimento e, acima de tudo, preocupe-se com este vírus, pois o que você não vê pode te pegar. 

 

As Três Peneiras - Com Valquíria minha amigona

Não deixe espaço para fofocas...
Ao ler uma apostila sobre etiqueta no ambiente de trabalho, que tratava de inúmeros assuntos como roupas adequadas, postura, cuidados ao lidar com chefes e colegas, um tema chamou a atenção: fofocas. Sempre ouvimos falar que fofocas e boatos não combinam com o ambiente corporativo e minam as relações, mas nunca tinha visto um texto que me tocasse tanto como o que trata das “Três Peneiras”. Pesquisando mais sobre esse assunto na internet descobri que existem inúmeras versões dessa “parábola”, sendo uma delas atribuída ao filósofo Sócrates, um ateniense do período clássico da Grécia antiga. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental.
Diz a passagem que: “ Um homem, procurou um sábio e disse-lhe:- Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? - Peneiras? Que peneiras? - Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Não! Absolutamente, não! - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!”
Assim, fica o ensinamento de que, da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passar adiante, submeta esta informação ao crivo das “três peneiras”. Além disso, é sempre bom se lembrar do seguinte: “não faça com o outro o que não gostaria que fizessem com você”. 
Pior do que isso é que muita gente faz da sua própria vida um livro aberto, assim lê quem quer e quando quer. O risco aí é que, como ocorre com os livros, as interpretações podem não ser exatamente as desejadas. Como dizem os professores de etiqueta: ter etiqueta é ter bom senso. E na hora de optar por não espalhar um boato ou uma fofoca se age exatamente com bom senso, afinal, a gente nunca sabe onde uma “conversa atravessada” vai parar e com quem. 

Em todos os ambientes e principalmente no trabalho, é muito melhor comentar as notícias do dia, falar sobre um bom livro, um filme interessante do que fazer da vida alheia um “Big Brother”. Isso sem contar que certamente você não é pago para colocar defeito na roupa do colega de trabalho, rir do corte de cabelo do entregador, enfim, observar os defeitos alheios. Melhor do que ter razão é ser feliz! 
“Pessoas sábias falam sobre idéias; pessoas comuns falam sobre coisas e pessoas medíocres falam sobre pessoas” é outra frase sem autor definido que casa bem com este assunto. Afinal, se a gente passa boa parte do nosso dia no ambiente de trabalho, nada melhor do que torná-lo agradável, prazeroso e amigável. Assim fica muito mais fácil trabalhar em equipe, objetivar e buscar metas e alcançar o sucesso. 

 

Você se acostuma com tudo, até mesmo com a ausência

As pessoas se acostumam... É difícil dizer e afirmar, mas, acostumamo-nos: com a perda inesperada de um ente querido, com a ausência de um filho que se casou, que se mudou para longe ou se distanciou por vontade própria. Acostumamo-nos com alguém que, por motivos diversos, afastou-se ou tivemos que nos afastar para pararmos de sofrer, de sermos apedrejados e magoados.

Entre familiares, acontece com grande frequência a necessidade de um afastamento temporário, seja para que um parente aprenda a respeitar até onde vai seus direitos e começa os direitos do outro familiar; seja para que filhos do primeiro casamento aprendam que os pais não são obrigados a ficarem eternamente amarrados a casamentos de “fachada” ou com data de validade expirada, e que precisam aprender a respeitar a vontade do pai que quer se ausentar e viver uma nova vida com outra pessoa; que parentes problemáticos parem de atirar pedras no alvo errado, ou seja, na atual esposa ou atual marido, quando, na verdade, não existem alvos, apenas um casamento que teve um ponto final. É preciso acostumar-se com a nova realidade, do contrário, a vida torna-se um fardo para quem não se acostuma, como também, para quem quer segui-la adiante.

 Às vezes se torna necessário um tempo entre irmãos para que cesse aquela rivalidade que veio da infância e estendeu-se erroneamente para a fase adulta, passando de simples rivalidade infantil para uma grande disputa entre adultos. Existem irmãos que simplesmente não aceitam a ideia de que o outro se saiu melhor na vida, teve mais sorte, mais força de vontade, mais persistência em vencer e simplesmente, apegam-se ao velho, à infância, onde comiam na mesma panela e dormiam sob o mesmo teto. O tempo passa, as coisas mudam, uns se dão bem e outros nem tanto, por isso a necessidade louca de se acostumar ao novo, do que correr o risco de viver uma vida de lamentos e amarguras.

Até mesmo em inventários é preciso um tempo para se colocar no lugar do outro e acostumar-se com a ideia de que infelizmente nada mais será como antes. Um irmão que não precisa dos bens que lhe foi deixado ou que tem aquele apego sentimental necessita acostumar-se com a ideia de que o ente querido se foi, e que agora tudo será diferente. E que irmãos não tratarão a herança da mesma forma; sempre haverá aquele irmão que necessitará dos bens para sobreviver devido à ausência do ente querido, ou, mesmo que não haja necessidade, sempre existirá aquela pessoa que pensa diferente e deseja  usufruir da sua herança como bem lhe aprouver. Mas em inventários, dificilmente um se coloca no lugar do outro; rivalidades, ressentimentos e egoísmos vêm à tona, e nesse campo é difícil acostumar-se com certas ideias, mas será necessário acostumar-se a elas. Acostumar-se com a ideia de que o que foi não é mais e daqui para frente vai ser tudo diferente.

No campo da reconciliação, quando nos acostumamos com a ausência de um ente querido, mas que ainda se encontra entre nós, porém, por motivos diversos, está distante fisicamente, temos que ficar atentos para que essa ausência não perdure por tempo suficiente até que uma reconciliação seja impossível, pela falta física de uma das partes, ou seja, pela morte. Por isso temos que saber distinguir o que vale a pena acostumar-nos a manter distância, daquilo que apenas devemos acostumar-nos temporariamente a mantermos uma distância, para que esta sirva de aprendizado para uma ou ambas as partes.

E quando existe uma possibilidade dessa ausência virar presença, ou você se agarra a ela ou novamente irá se acostumar. Os ânimos se acalmam, aquela vontade repentina de voltar ao que era passa muito rápido, afinal, acostumamo-nos com aquela ausência, pois o tempo volta a correr e novamente acostumamo-nos a viver sem aquele ente que se encontra ausente em nossas vidas, pela distância física.

Por isso, é bom saber dar o primeiro passo; isso não quer dizer que você deva assumir qualquer tipo de culpa, apenas que é mais sábio. Mas com a idade, a gente para de correr atrás daquelas pessoas que insistem em errar, em nos magoar e que novamente precisamos dela nos ausentar, que seria o mesmo que dar um tempo, depois de outro tempo e assim sucessivamente. E essa rotina de dar o primeiro passo e logo em seguida arrepender-se, gera uma frustração, que com o tempo faz com que endureçamos e fiquemos apenas nesse primeiro passo, e que um dia se torna o último passo. É nesse momento que entra a determinação da outra parte em repensar que já está na hora de parar de magoar, de “encher o saco”, de causar problemas e de ser imaturo; pois a outra parte precisa ficar ciente de que o tempo deixa as pessoas mais velhas ao ponto de um dia nem sequer estarem mais dispostas a dar seja o primeiro seja o último passo.

“Faça de sua ausência o suficiente para que alguém sinta sua falta,

Porém, não a prolongue por muito tempo, pois este alguém poderá perceber que pode viver sem você”.Vilson Kdully

 

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar... "Chico Buarque"

Existem pessoas que esperam ansiosas pelo carnaval, pois irão reencontrar amigos, divertir-se, namorar ou beijar muito na boca, nesses casos podem ter depois uma grande ressaca física e ou moral; há outras que temem esta data, pois acreditam que até mesmo o ar está contagiado por algo maligno que envolve as pessoas que participam das festas de carnaval, quanto a estas pessoas devemos respeitá-las; temos também aqueles que aproveitam para tirar a diferença e estudar para concursos enquanto seus concorrentes se divertem, a estas devemos aplaudir; e ainda, temos aqueles que aguardam ansiosos para se encontrarem com seus desafetos e lhes dizerem tudo que está entalado na garganta. Você participa de qual destes grupos?

Se participar do último grupo, ou seja, do grupo de pessoas aflitas que não conseguem deixar o passado no seu devido lugar, com certeza estão entre as pessoas que mais sofrem nesta época festiva do ano. Pois não acham justo ver as pessoas que tanto lhe causaram mal dançarem, cantarem e se divertirem no meio da multidão como se nada tivesse acontecido. Porém, o que ocorre é que essas pessoas que “causaram mal a outrem” podem ter causado o mesmo mal ou um mal muito pior a muitas outras pessoas e talvez não esteja nem se recordando do que fizeram ou, se recordarem não estão simplesmente dando a mínima para o que ocorreu, pois são pessoas soberbas, orgulhosas ou para não exagerar podem ser até mesmo sociopatas.

Sociopatas são pessoas que vivem normalmente em sociedade, chegam a ter amigos, mas escolhem vítimas que pagarão por todas as suas frustrações; são pessoas perigosas e que não merecem sequer ser lembradas, perdoadas e muito menos esperar que sintam qualquer tipo de remorso ou compaixão. Por isso, perder uma época festiva apenas porque uma meia dúzia de pessoas em um planeta com mais de sete bilhões de habitantes causou- lhes algum mal, prejudicou-lhes socialmente, moralmente, profissionalmente ou financeiramente, é uma verdadeira loucura e perda de tempo. Os sociopatas não sentem remorsos, não pedem perdão e, se um deles vier a pronunciar esta palavra, perdão, soará totalmente falso.

Tem uma música do incomparável Chico Buarque que se chama “Quando o carnaval chegar”. Esta música traduz em parte o que acabei de citar, ou seja, a vontade de chegar perto dos nossos desafetos e lhes dizer tudo que merecem ouvir:

“Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar... Tô me guardando pra quando o carnaval chegar”...

E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar... Tô me guardando pra quando o carnaval chegar!

E quem me vê apanhando da vida, duvida que eu vá revidar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...

 Assim, é muito mais válido viver a nossa vida ao lado daqueles que nos amam e aproveitar esse momento festivo perto destas pessoas seja para comemorar ou descansar. Mas não para encontrar desafetos e, após uma bebida e outra, revidar o caroço de manga que ficou na garganta entalado por meses ou anos. Carnaval é festa, e festa é para saborear a vida que corre em nossas veias, é para brindar as vitórias e rir das derrotas como forma de aprendizagem. É momento para ser feliz, largar os desafetos no passado de uma vez por todas. E para aqueles que querem dar um pulo na carreira é momento de aproveitar para acordar e deitar ao lado de livros, pois somente assim se consegue chegar ao pódio profissional.

 

Sorte daquele que não convive com uma pessoa soberba

Uma pessoa acometida pela soberba, um dos sete pecados capitais, é uma pessoa infeliz, que vê o mundo de outra forma. Trata-se de uma pessoa possuída pelo orgulho, totalmente pretensiosa e que se acha melhor que as demais. Soberba é um substantivo feminino, do latim supervia, que significa elevação, presunção, orgulho, é uma manifestação negativa que denota pretensão de superioridade.

William Shakespeare ao comentar sobre a soberba diz que: “Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador”. Significa que pessoas orgulhosas gostam de ter ao seu lado bajuladores, e estes são tratados como objetos que são utilizados apenas para satisfazer as mais variadas vontades do orgulhoso. Essas pessoas geralmente gostam de ficar à frente de associações, federações, ONGs e entidades de um modo geral, apenas para se verem rodeadas por bajuladores. Uma pessoa assim, geralmente gosta de ser política ou presidente do que quer que seja, pois, nestes cargos, poderá ser bajulada como uma criança mimada. Este tipo de comportamento demonstra que uma pessoa orgulhosa, pretensiosa e que se acha melhor que as demais, na verdade possui uma autoestima baixa; no fundo sabe que não é melhor que ninguém e se sente até mesmo pior que muitas pessoas.

Para quem é obrigado a conviver com pessoas assim, a vida vira um wobble, um tipo de dança onde se balança para um lado e para o outro, ou seja, você vive tentando agradar de qualquer modo essa pessoa doente, pois, do contrário, o orgulhoso se torna irado, uma vez que não sabe ter seus desejos negados, não aprende a ouvir nãos e vive em um mundo em que tudo e todos devem girar ao seu redor. A pessoa orgulhosa, altiva e soberba está dominada pela arrogância. Não se importa em gritar e falar alto com os outros e nem mesmo se preocupa como irão se sentir. Quando se sentem ameaçados por alguém que possa ter mais talento que eles, a ira toma seus corações, o orgulhoso faz o que for necessário para não perder seu posto de “o melhor”, “o perfeito”, “o caridoso”...

Podemos citar casos de pessoas assim em diversas ocupações. Profissionalmente, alguém que ocupa um cargo maior que ele mesmo, vai se utilizar da arrogância para não se sentir ameaçado. Uma pessoa assim é capaz de tudo para tirar do seu caminho colegas que julga ser melhor que ele.  Na vida familiar, encontramos com frequência mulheres ou homens rejeitados no casamento, e que, para se sentirem melhores, julgam ser o pai ou a mãe ideal, aquele que dá amor de verdade, aquele que está para o que der e vier, tudo para destoar do ex-cônjuge, de modo que este pareça ser o ausente, o fraco, o perdedor, o pai caixa de banco e não o pai presente. Já na vida social é muito mais frequente encontrarmos pessoas possuídas deste mal, a soberba. É frequente o grande número de pessoas acometidas pela soberba presidirem entidades sem fins lucrativos, mas sem se entregarem à causa, ou seja, querem que todos doem suas economias para a entidade, mas ele próprio não o faz como exemplo. Gostam muito de fazer caridade com o chapéu alheio. E perante a sociedade são vistos como guerreiros, caridosos, santos, pessoas com a alma melhor que as outras. Isso é um viés da realidade.

Para a Igreja Católica, soberba é um dos sete pecados mortais, e contra ela se prega a virtude da humildade e da modéstia. São Thomas de Aquino determinou sete características como inerentes ao orgulho: Jactância - Ostentação, vanglória, elevar-se acima do que se realmente é; pertinácia – Uma palavra bonita para “cabeça-dura” e “teimosia”. É o defeito de achar que se está sempre certo; hipocrisia - o ato de pregar alguma coisa para “ficar bem entre os semelhantes” e, secretamente, fazer o oposto do que prega. Muito comum nas Igrejas; desobediência – por orgulho, a pessoa se recusa a trabalhar em equipe quando não tem suas vontades reafirmadas; presunção - achar que sabe tudo. É um dos maiores defeitos encontrados nos céticos e adeptos do mundo materialista. A máxima “tudo sei que nada sei” é muito sábia neste sentido; discórdia - criar a desunião, a briga. Ao impor nossa vontade sobre os outros, podemos criar a discórdia entre dois ou mais amigos; contenda - é uma disputa mais exacerbada e mais profunda, uma evolução da discórdia onde dois lados passam não apenas a discordar, mas a brigar entre si.

Se você se identifica com as características da soberba nunca é tarde para procurar ajuda e tentar amenizar esse lado doentio que magoa as pessoas, pois, onde reina a arrogância, reina a tristeza e se distancia da paz. É um perde-perde, ninguém ganha sendo ou convivendo com uma pessoa arrogante, orgulhosa ou simplesmente soberba.

 

 

UTI: uma porta para uma despedida

Tempos atrás, quando um conhecido ou familiar era transferido para o CTI ou UTI todos ficavam alarmados e apavorados; os rumores, em cidades menores, era de que “ele estava nas últimas” ou “agora só falta o padre fazer a extrema-unção”.

Hoje os tempos mudaram, novas tecnologias hospitalares, medicamentos mais eficientes, equipamentos médicos modernos e, com isso, os casos de UTI não são mais tão alarmantes. Passamos a confiar e acreditar muito mais que o enfermo sairá da UTI com boa saúde. As esperanças aumentaram comparando com a de tempos atrás.

Mas quando o enfermo é um ente querido ou alguém muito próximo, por mais que tentemos acreditar que poderá haver uma melhora, a esperança diminui cada vez que entramos e saímos daquele local, uma sala com vários boxes e várias pessoas internadas. Temos alguns minutos para olharmos e tentarmos conversar com a pessoa querida; porém, quando passamos a ver que não há melhoras, os minutos tornam-se horas ao tentar conter o choro agudo que ecoa dentro de nós, afinal não podemos deixar transparecer, para nosso ente querido, que o final está chegando.

A sala de espera da UTI é um local onde todos os dias, por duas ou três vezes, várias famílias passam a se conhecer, trocam suas histórias, seus lamentos e medos. Viramos uma grande família, uma torcendo pela melhora do familiar alheio; e isso é muito mágico, pois demonstra como o ser humano, no momento da dor, torna-se tão companheiro, compreensível e prestativo. Mas a tristeza chega a invadir vários corações quando, em um dos horários marcados, uma das famílias não está mais presente, primeiro ficamos com aquela esperança de que ele, enfermo, teve alta da UTI; mas logo morrem nossas esperanças quando descobrimos que ele descansou para sempre durante a madrugada ou ao amanhecer. Nesse momento choramos pela família, mas no fundo também estamos chorando por nós, pois nosso choro tenta disfarçar o pavor e o medo de sermos a próxima família a não estar mais presente, no dia seguinte, naquela sala de espera.

Recentemente, passei duas longas semanas visitando meu avô materno, Geraldo Martins Vargas, na UTI de um hospital. Todos os dias, às 8 e às 21 horas, nossa família estava ali, naquela sala de espera, decidindo quem iria vê-lo. Fui agraciada de poder entrar muitas vezes na UTI e cada minuto era mágico; durante vários dias entrávamos e saíamos com grande esperança, pois, afinal, estar na UTI é melhor do que estar em casa ou em um quarto do hospital, pois são tantos médicos e enfermeiros com uma disposição imensa para tentar aplacar o sofrimento do doente e lhe devolver a saúde, que ficamos admirados como existem pessoas tão boas assim, como anjos de Deus. É difícil pensar como os médicos e enfermeiros conseguem voltar para casa e dormir, lembrando de cada caso crítico e melancólico. São pessoas admiráveis e que merecem não somente nosso respeito, mas nosso agradecimento. Mas nunca nossa revolta por um ente querido ter partido dessa vida, pois o que poderia ser feito esses anjos de Deus fizeram.

Nos primeiros dias, quando meu avô pronunciava meu nome e de meus familiares, nos dava sua bênção e perguntava por todos os conhecidos, a esperança inflava nossos corações. Após alguns dias internado ele foi isolado dos demais, em uma sala de vidro e com porta, ficamos loucos ao ver aquilo, pensamos que era o final... Mas logo os enfermeiros nos contaram sorrindo que ele estava bem, o problema é que, como na UTI fica claro o dia todo, os doentes não sabem distinguir o dia da noite e meu avô, tentando convencer o corpo clínico a deixá-lo ir para casa, começou a cantar para agradá-los, mas cantava dia e noite, atrapalhando assim quem estava muito doente e precisava de silêncio. Disse meu avô aos enfermeiros que também estava treinando uma música para cantar quando minha avó chegasse para visitá-lo. Durante essas duas semanas, ele cantou para ela, segurava sua mão, olhava em seus olhos e dizia que foram 66 anos de alegria ao lado dela e cantava: “Não chores minha querida senão eu choro também”... “O que tem a rosa tão desfolhada foi o sereno da madrugada... Adeus, adeus, coração mimoso, delicadeza e rosto formoso”...

Nunca chorei tanto ao ver um amor assim, meu avô com seus 91 anos, no leito da morte e ainda proferindo palavras de amor.

A UTI é uma porta de esperança para muitos, mas também, uma porta que nos prepara para uma despedida. Por isso, não importa como esteja seu ente querido, consciente ou não, diga tudo que ele gostaria de ouvir, e, se for preciso, minta que aquele filho ausente está ali na sala de espera; que aquele parente que faleceu dias atrás em algum acidente está vivo; conte que seu time de futebol ganhou, mesmo tendo perdido; diga o que for preciso para que as últimas palavras que ele ouvirá e levará consigo sejam um alento para o seu coração e uma música para os seus ouvidos.

 

 

Avareza um dos piores dos sete pecados capitais

Colecionar indiscriminadamente imóveis, ser rico, viver como pobre e doar migalhas a projetos sociais pode ser um sintoma grave de uma doença psicológica chamada de avareza, um dos piores dos sete pecados capitais

Avareza vem do latim, “avaritia”, que significa cobiça, ganância; desejo excessivo de bens; desejo imoderado, incontrolável de adquirir e acumular riquezas; apego excessivo a dinheiro e bens materiais. 
Uma pessoa avarenta é aquela que tem um apego exagerado aos bens, só pensa em acumular cada vez mais e mais bens móveis e principalmente, imóveis, sem saber ao certo o que fazer com seu patrimônio. O avarento é aquele que se deixou dominar pela cobiça, que desenvolveu um apego sórdido ao dinheiro, às riquezas e aos bens; que se entregou ao desejo desordenado de possuir e acumular. Sempre se quer mais e mais, sem saber ao final o motivo dessa gula incontrolável em acumular bens e sem sequer usufruí-los. O avarento é incapaz de gastar, de desfazer-se de algo seu, tem um verdadeiro pavor em gastar o que acumulou, em perder o que possui e não consegue compartilhar algo que lhe pertença, mesmo diante de extrema necessidade sua ou de outrem. Em suma, o avarento é uma pessoa de posses, mas tem uma vida miserável, para si e sua família. E a palavra doação o causa alergia.
Em Divinópolis, cidade com mais de duzentos mil habitantes, temos duas realidades antagônicas: de um lado, uma cidade polo da confecção, com empresas significativamente rentáveis, com grandes profissionais liberais, e de outro: ruas cheias de buracos, dependentes químicos nos abordando o tempo todo e entidades carentes precisando de ajuda imediata. São poucas pessoas que merecem aplausos em nossa cidade por abraçar causas sociais. É muito simplista o argumento de que o problema não é nosso, que nossa carga tributária é elevadíssima e já pagamos por isso, delegando o problema ao governo. Em países desenvolvidos, as pessoas mais privilegiadas financeiramente doam milhões de dólares. No Brasil, doa-se muito pouco em vista do que poderíamos doar e, em Divinópolis, em particular, a avareza daqueles que tem dezenas ou centenas de imóveis chega a causar náuseas.
Se uma pessoa tem uma renda considerável, se desfazer de um por cento dela mensalmente não o empobrece e muito menos compromete suas finanças ou qualidade de vida. Ajudar quem precisa é uma dádiva e reverte em favor do doador em forma de alegria. Seria bom viver em uma cidade onde aqueles que têm muito doassem ao menos parte de sua renda a favor da população. 
Deveríamos nos pautar pelos exemplos de pessoas como Warren Buffet, que sempre foi solidário a causas sociais e recentemente decidiu doar US$ 2,6 bilhões para a “Fundação Bill e Melinda Gates”, entidade criada pelo fundador da Microsoft que realiza ações na área da saúde e financia projetos de pesquisa e desenvolvimento sustentável no mundo inteiro. O megainvestidor, de 82 anos, tem um histórico de várias ações de cidadania – só em 2008, Buffet doou US$ 1,8 bilhão à mesma instituição de caridade. Por meio de um comunicado, Warren Buffett informou que a doação faz parte de seus planos de contribuições anuais para instituições de filantropia. Quando morrer, a maior parte da sua fortuna será entregue a uma instituição de caridade que leva seu nome, sendo que apenas uma pequena parcela de seu patrimônio será destinada aos herdeiros.
Outro exemplo é da bilionária Sara Blakely, que estreou na lista de bilionários da revista Forbes em 2012 como a mulher mais jovem a atingir fortuna de US$ 1 bilhão, decidiu investir metade sua fortuna em causas sociais. A mulher decidiu participar do The Giving Pledge - criado por Warren Buffet, Bill Gates e Melina Gates -, programa que reúne bilionários dispostos a investir metade de suas fortunas em causas sociais.
O instituto de caridade de Warren Buffett e Bill Gates, a Giving Pledge, ganhou no início de 2013 a participação dos seus primeiros bilionários de fora dos Estados Unidos. Ao todo, 12 novos empresários de vários países se comprometeram a doar pelo menos metade de suas fortunas à entidade, entre eles, estão Richard Branson, empresário britânico que fundou a Virgin; o bilionário russo Vladimir Potanin; o magnata dos softwares indiano Azim Premji; e o segundo homem mais rico da Ucrânia, o empresário Victor Pinchuk. 
"Coisas não trazem felicidade", disse o britânico Richard Branson em sua carta. "Família, amigos, boa saúde e satisfação que vêm de fazer uma diferença positiva são o que realmente importa. Felizmente meus filhos, nossos principais herdeiros, concordam comigo nisso".
Um personagem das histórias em quadrinhos que personificou a avareza como poucos foi o Tio Patinhas, criado por Carl Barks nos estúdios Disney em 1947. Dono de uma fortuna quaquilhonária, o velho muquirana, o pato mais rico de Patópolis, ama o dinheiro acima de todas as coisas. Temos que ter muito cuidado para não nos tornarmos uma réplica do Tio Patinhas!

 

Caridade com o chapéu alheio

Isso acontece muito com quem recebe pensões sem nada dar em troca: Dão presentes para todos, agradam amigos e parentes e chegam até mesmo a comprar “amizades e favores”. Mas tudo com o chapéu alheio!

A expressão dar a outrem usando do chapéu alheio lembra a lenda de Robin Hood, herói mítico inglês, um “fora da lei” que roubava dos ricos para dar aos pobres, nos tempos do rei Ricardo Coração de Leão. Era ajudado pelos amigos João Pequeno e Frei Tuck, entre outros moradores da região. Ficou imortalizado como “Príncipe dos Ladrões”.
Como cita Antonio Carlos Barro: “O ser humano tem uma capacidade extraordinária de promover-se à custa de outros seres humanos. A promoção através do método comum e árduo do trabalho de todos os dias é facilmente substituída pela esperteza e pelo jeitinho. Para se aparecer ou mostrar-se benevolente a pessoa não se faz de rogada, principalmente nos dias atuais quando as necessidades são muitas. São tantos projetos que solicitam a nossa ajuda que ficamos apalermados diante do enorme desafio de melhorarmos a nossa sociedade. Fazemos o que podemos e fazemos com os poucos recursos que temos. O que não pode acontecer é a caridade com chapéu alheio. Além de ser de tremendo mau gosto, é uma clara demonstração de falta de caráter cristão. Se o chapéu é alheio, ele não deveria ser utilizado de maneira alguma, e se é utilizado alguma coisa está sendo defraudada do proprietário do chapéu”.
Segundo o psicanalista Mario Quilici essa prática é característica do narcísico. Narcisista é aquela pessoa que vê o mundo através de si mesmo. Ela é a referência para todas as coisas. Os narcisistas são especialistas em roubar créditos alheios, afirma ainda o mesmo psicanalista. Uma boa norma para desmascarar o fazedor de caridade com o chapéu alheio é a lembrança do velho ditado: “Esmola, quando é muita, o santo desconfia”.
Mas por que isso acontece e ninguém nada diz? Primeiro porque a vida anda muito corrida e as pessoas mal tem tempo para si mesmo e sua família e o que dirá de tempo para saber se o que lhe é dado vem do suor do João ou da Maria? Toda caridade, geralmente, não se pergunta a raiz da fonte, apenas aceitamos a caridade e agradecemos. Mas é aí que nasce os famosos “vigaristas”. Aqueles que não trabalham, vivem às custas de pensões de ex maridos, pais ou do governo e querem ser populares, entrarem para a sociedade, se passarem por boas pessoas, pessoas caridosas e exemplares e cheias de amigos.

Mas tudo é questão de tempo até a fonte secar e as coisas se apertarem, nesse momento o dito chapéu alheio estará vazio e não mais se poderá fazer bonito para os amigos e a sociedade. Daí em diante, é que se conhecem quem são os amigos de verdade. Há uma frase da qual não me recordo o autor que diz: “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”. Muitas pessoas ficam abismadas quando descobrem que tudo que recebiam de agrados, mimos, presentes e até de favores inusitados, como: Pode deixar que saio agora mesmo daqui e viajo 300, 400 ou 5000 Km para levar seu filho até a faculdade ou médico ou para passear. Essa pessoa “cheia de favores concedidos aos outros” é tida como popular, amiga e verdadeira companheira, mas na maioria das vezes esses presentinhos ou favores estão sendo bancados pelo dinheiro alheio. E o coitado que está bancando tanta caridade não aparece em nada, chegando até mesmo a ser criticado como aqueles que se distanciou da família, dos filhos, que não quer saber de ajudar a nada e a ninguém... 

É comum mulheres separadas que recebem fartas pensões mentirem aos sete ventos que aquele valor lhe pertence, que foi um acordo, que ela também ralou para ter direito aquela quantia mensal que lhe é dada e o “devedor” nada mais faz que sua obrigação. E as pessoas, mesmo sabendo que não é verdade, gostam de acreditar, pois no fundo são maliciosas. Já tive a infelicidade de ouvir de filhos separados que tudo que tem lhes foi dado pela mãe, que o pai é um ausente e mãe a heroína. O pai sem forças ou até por nojo de tanta malícia prefere se calar, e como diz o velho ditado, quem cala consente e a ex reina por anos e anos como a caridosa, bondosa e a vítima da situação.

Mas como a terra é redonda e tudo volta a seu devido lugar, não há benefícios eternos, a não ser os bancados pelo governo e brevemente a sociedade saberá de quem era o dinheiro do qual foram dados tantos presentes e feito tantos favores: Do chapéu alheio.

 

Dois caminhos que não levam a felicidade: Viver preso ao passado ou viver preocupado com o futuro

A vida segue sempre em frente e o tempo é o melhor remédio para qualquer mal. Viver preso ao passado, nas lembranças boas e que não voltam mais, nas decisões desacertadas e nas escolhas erradas é sinônimo de escolher o caminho mais triste a seguir.
Ao mesmo tempo em que viver preso ao passado não trará felicidade, ter excessiva preocupação com o futuro e deixar de ser feliz hoje, também é uma decisão errônea. Claro que devemos aprender com os erros do passado, para evitar que os cometemos novamente e também é cediço que devemos viver o presente de forma serena e prevendo que o amanhã pode vir a chegar e estarmos desprevenidos, sem um bom emprego, sem uma mínima economia e sem uma família. Mas viver de forma avarenta, economizando sempre e cada vez mais para um futuro incerto, tem sua dose de ignorância.
Esses dois caminhos, seja viver preso ao passado ou viver apenas para um futuro, nunca trará paz plena, mas apenas frustrações. De maneira consciente ou não, sempre buscamos a paz, mas nem sempre a alcançamos, talvez pelas próprias decisões que tomamos ou talvez pela própria carga que nos obrigamos a carregar. Assim, o primeiro passo para tentar ser feliz é voltar-se para o seu eu, tentar viver um dia de cada vez, dentro dos seus limites, se amar primeiro, deixar o que passou em seu devido lugar e não antecipar-se com medos ou inseguranças que talvez nem venham a acontecer.
O mundo é por natureza um moeda com dois lados, temos os dias bons e os ruins, temos as alegrias com os nascimentos em família, mas também temos os momentos de sofrimento com a partida de entes queridos, temos a alegria de um casamento e a dor de uma separação, temos nossos filhos alegres e com vontade de colo, mas esses mesmos filhos crescerão e seguirão suas vidas, uns trarão orgulho e serão nosso espelho e imagem, outros não terão tanta sorte na vida, alguns seguirão caminhos errados e outros deixarão suas vidas antes do tempo certo. Por isso não adianta sofrer pelo que passou e preocupar-se com o que há de vir. PREOCUPAR-SE significa tornar-se pré-ocupado, ocupar-se antes da hora, ou talvez anteceder-se e sofrer por algo que não necessariamente irá acontecer.
Quando perguntamos a um amigo, parente ou um conhecido o motivo da sua falta de paz e felicidade, ouvimos frases comuns: Me sinto triste porque fui traída. Minha vida acabou com o fim do meu casamento. Serei feliz quando adquirir minha casa própria, ou quando comprar aquele carro, ou quando meu filho passar no vestibular. Serei feliz quando conseguir esquecer o que me fizeram, o quanto me humilharam, o quanto fui magoada.
Sempre teremos uma desculpa que irá se colocar no lugar de outra e de outra e de outra. Essas desculpas servem para gritarmos ao mundo que o outro é o culpado por nossas tristezas, fracassos, perdas, incertezas. Delegar a culpa é muito mais satisfatório e cômodo que tomar as rédeas da própria vida, encarar o problema, se é que realmente é um problema e entender que a vida sempre terá seus altos e baixos
Devemos buscar a aceitação integral da imperfeição humana, tanto a nossa quanto a dos outros. A repulsa por nossas imperfeições e erros alheios é motivo de sofrimento. Podemos discordar do que nos fizeram, mas não podemos permitir que isso nos deixe em estado de ódio, raiva e vingança. Pois mostrar ao mundo nosso sofrimento não irá mudar o que passou e nem causar sofrimento na outra pessoa, apenas em nós mesmos. Assim, vamos tentar viver o hoje, deixar o que passou para trás e viver o futuro quando ele chegar.

 

É possível um vigarista tornar-se uma pessoa de bem, de boa índole?

Temos duas hipóteses conhecidas para que isso ocorra, ou seja, uma pessoa deixar de ser um vigarista: ou a pessoa morre ou acontece um milagre que ocorre quando a pessoa passa a participar de alguma seita ou algo parecido. Pois como diz o velho ditado: pau que nasce torto até suas cinzas também são tortas.Então vejamos exemplos clássicos de pessoas tidas como “vigaristas” e que podem estar casadas com um de nós, com um parente ou até mesmo ser um empregado, empregador ou um amigo de longos anos.Ao contrário do que se possa pensar, um vigarista tem boa aparência, geralmente é charmoso, de boas maneiras, conversa interessante, passa grande confiança, podendo ser homem ou mulher.
A palavra vigarista tem várias origens, sendo a mais conhecida como a antiga história do "conto do vigário" (http://www.brasilescola.com/curiosidades/conto-do-vigario.htm), uma expressão usada para descrever de forma genérica qualquer tipo de história que pareça verdadeira, mas que de fato não o é e tem como único objetivo induzir quem a ouve a desembolsardinheiro . O conto do vigário aconteceu no século XVIII na cidade de Ouro Preto entre duas paróquias: a de Pilar e a da Conceição, que queriam a mesma imagem de Nossa Senhora. Um dos vigários propôs que amarrassem a santa no burro ali presente e o colocasse entre as duas igrejas. A igreja que o burro tomasse direção ficaria com a santa. Acontece que o burro era do vigário da igreja de Pilar e o animal direcionou-se para lá deixando o vigário vigarista com a imagem.
Outro fato interessante aconteceu no século XIX em Portugal, quando alguns malandros chegavam às cidades desconhecidas e se apresentavam como emissários do vigário. Diziam que tinham uma grande quantia de dinheiro numa mala que estava bem pesada e que precisaria guardá-la para continuar viajando.
Diziam que, como garantia, era necessário que lhes dessem alguma quantia em dinheiro para viajarem tranquilos e assim conseguiam tirar dinheiro dos portugueses facilmente.Dessa forma, até hoje somos vítimas dos contos dos vigários que andam por aí, por isso a dica é tomar muito cuidado com ajudas e ganhos, para que não caiemos num conto do vigário.
Vamos dar umas dicas para quem já caiu, está caindo ou quer evitar cair no famoso conto do vigário, pois os vigaristas deixam, sem querer, transparecer uma ou mais das atitudes abaixo:
1. Tem um sorriso acima do normal, uma simpatia contagiante e invejável;
2. Oferecem produtos e serviços sem pedir nenhuma garantia em troca, como exemplo: leve essa roupa, se gostar a gente acerta depois;
3. No caso de prestadores de serviços,muitos acham que entendem de todas as profissões do mundo, como exemplo, um prestador de serviço que ao mesmo tempo entende de encanamento, eletricidade, cortinas, crianças, piscinas, pedras, polimentos, elevadores, serviços de pedreiros, mas na verdade, em relação à maioria das tarefas, tratam-se de meros “curiosos” e enganadores;
4. Muitos prestadores são “clínicos gerais”, que, com meia dúzia de funcionários,oferecem uma gama enorme de serviços sem terem nenhuma estrutura para isso; oferecem serviços que escritórios de São Paulo, Londres ou outros lugares gastam nada menos que 400 profissionais para prestá-los;
5. Cuidado ao máximo com aqueles que mal conhecem seu concorrente e já falam mal dele, da família, do escritório ou consultório, pois um profissional ético dificilmente falará mal do seu concorrente, por mais que ele possa merecer;
6. Tem grande preferência para quem está desatualizado, é mais humilde intelectualmente ou ainda vem do interior não tendo grandes facilidades de acesso às informações de golpes rotineiros. É o que acontece com o boleto premiado, o FGTS que para não ser bloqueado pela CEF deve ter um depósito imediato em uma conta desconhecida, etc.;
7. E para não falar dos vigaristas que vendem títulos podres, prescritos, da época doImpério e que a Receita Federal do Brasil cansa de avisar, mas parece que o brasileiro não gosta de ler;
8. O golpista, na maioria das vezes, apresentar-lhe-á clientes com menos de quatro anos e que ainda não tiveram o azar de verem o golpe que caíram e por isso servem como cartão de visita para os novos otários do pedaço.
9. Temos também os famosos “golpes da barriga”, aplicados por mulheres que odeiam trabalhar, escolhem o primeiro otário que lhe parecem mais bem de vida, efetiva ou potencialmente, após engravidar digam simplesmente “Adeus emprego, até nunca mais!”;
10. Para não falar nas armadilhas de um divórcio, nas chantagens usando filhos como escudos para ganharem pensões exorbitantes e ainda terem a ousadia de dizerem que foram lesadas, pois o ex refez sua vida e adquiriu novo patrimônio após a separação, e elas (as coitadas) ficaram no prejuízo não sei do que, já que dividiram tudoquando foi feita a partilha dos bens do casal.
Cuidado para não se tornar vítima de inúmeros vigaristas!

 

Escolha melhor as lutas que irá travar nessa curta vida que tem

A vida é curta amigo!

Viver não pode ser encarado como um fardo ou uma cruz. Se você goza de uma boa saúde, você tem sorte, deveria agradecer por isso e reclamar menos de coisas que serão vistas, num futuro próximo, como verdadeiras devoradoras do tempo e da emoção.

Se perguntar para várias pessoas que já viveram mais de setenta anos se elas pudessem voltar cinquenta anos ou mais e mudar alguma coisa em sua vida, muitas responderiam que mudariam muitas coisas, que brigariam menos e não discutiriam tanto com parentes, com namorados, com chefes ou funcionários, pois tudo isso em longo prazo deixa de ser importante. Tudo que algum dia o irritou, com o tempo não terá a menor importância para você. Como diz Oswaldo Montenegro em sua música, A Lista: “Onde você ainda se reconhece, na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria, quantos amigos você jogou fora? Quantos mistérios que você sondava, quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava. Hoje são bobos ninguém quer saber?”.

Pense nos namoros que teve e o quanto se desgastou tentando mudar atitudes de namorados que hoje você nem sequer se lembra do nome completo ou onde essa pessoa mora. Se todos pudessem parar e avaliar o tempo jogado fora, de uma única vida que temos, com as redes sociais, fofocas, vida alheia e até mesmo, sofrendo por banalidades, como quando alguém buzina para você no trânsito e o seu sangue ferve; quando o vizinho faz barulho; quando um funcionário não corresponde às suas expectativas; quando você se depara magoado com insultos ou comentários idiotas nas redes sociais, com certeza mudaríamos muitas coisas e ocuparíamos nosso valioso tempo somente com o que e com quem importa.

Viver é valorizar o presente e não se autossabotar. Pense nos sonhos que têm ou que deixou para trás como iniciar ou terminar um curso superior, conseguir uma promoção no emprego, ou ser definitivamente mais magro. Quantas vezes esses sonhos ficaram somente na vontade e quantas desculpas você criou?

Se você quer ter uma vida plena, sucesso na carreira ou uma vida financeira melhor do que a atual, você precisa saber se entregar inteiramente aos seus sonhos. Frase muito conhecida é de uma pessoa que diz a um pianista: Eu daria a minha vida para tocar como você. E ele responde: Eu dei a minha.

Se quiser ter um curso superior que lhe renderá boas oportunidades profissionais, precisa mergulhar nos estudos com coragem e determinação, precisa aprender a renunciar as festas e baladas. Do contrário, será somente mais um desempregado ou empregado mal remunerado, com um diploma na mão.

Se quiser realmente ficar mais magro, precisa criar vergonha ao dizer que iniciará um regime após o carnaval, ou na próxima segunda, ou no próximo mês. Você tem que começar agora! Do contrário, arrumará muitas desculpas, ou seja, jogará a culpa em outras pessoas. Sempre haverá uma desculpa ou um culpado.  Somente quando assumir a própria culpa e escolher lutar por si mesmo é que terá o corpo que almeja.

Se quer passar em um concurso público, ser promovido ou conseguir uma vaga em determinada empresa faça por onde, acorde mais cedo, durma bem, estude mais e abra mão de uma vida irresponsável regada a bebidas alcoólicas e baladas. Você somente será capaz quando quiser de verdade. Por isso, supere-se a cada dia; ame-se cada vez mais; cuide-se intensamente; surpreenda-se a cada amanhecer; use as críticas para mudar maus hábitos e, nunca aceite o fracasso, pois os erros são circunstâncias naturais na vida daqueles que quiseram com força e fé e conseguiram  chegar ao pódio.

 “Treine enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem, persista enquanto eles descansam, e então, viva o que eles sempre sonharam.” Provérbio Japonês. 

 

Existe gosto e mau gosto para tudo, mas por que não mudar para melhor?

Na década de sessenta, havia os grandes festivais de música; hoje parece que vivemos festivais de “breguices musicais”. É difícil conseguir um bar ou restaurante para se tomar um chope ou uma bebida com os amigos ou companheiro sem se ver obrigada a tolerar as bizarrices das conhecidas músicas sertanejas universitárias.

Como toda regra tem exceções, temos em Divinópolis uma grande quantidade de músicos que também não apreciam o tal sertanejo universitário, mas não sei o motivo, só conseguem usar o mesmo repertório musical, como se fossem uma programação robótica, começando com “Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro...”

Será que não conhecem, salvo exceções, Chico Buarque, Vinícius de Morais, João Bosco, Tom Jobim, Os Novos Baianos, Noel Rosa, Paulinho da Viola? Ou o centro-oeste mineiro repudia esse tipo musical?

Até mesmo em carnaval somos obrigados a ouvir em sítios, fazendas e em casas às margens da represa de Furnas ou de Carmo do Cajuru o tal sertanejo universitário, que de universitário mesmo não tem nada, pois são músicas totalmente sem conteúdo e cultura.

 

Mudando em relação a restaurantes e bares, me pego pensando porque a maioria das mesas são tão estreitas? Será que foram feitas para casais magros? E por que todas balançam de um lado para outro? Para nos deixar embriagados rapidamente ou derramarmos a bebida naqueles forros furados? Também tenho uma curiosidade quanto às cadeiras, elas balançam de propósito ou falta coragem para pegar uma chave de fenda e apertar os parafusos? E por fim, se eu fosse proprietária de um restaurante ou “buteco” a primeira medida que tomaria seria limpar pelo menos uma vez por semana os cardápios, pois vai que o Dr. Bactéria pegue um destes cardápios; o que iria encontrar faria a maioria dos frequentadores perderem o apetite para quaisquer tira-gostos.

 

O roceiro, o matuto, aquela pessoa que vive e foi criada na zona rural é uma pessoa que merece nosso respeito, vive com as mãos calejadas, plantando e colhendo, vivendo de maneira simplória e visivelmente feliz, muito mais feliz que muitas pessoas de classe alta. Já a pessoa que nasceu na zona urbana, estudou, seja até o ensino médio ou não, não precisa matar o português e nem pode. É “cafona e brega” pessoas que estudaram ou até mesmo que possuem um curso superior continuarem dizendo: nois, ocê, entrar para dentro, sair para fora, subir para cima, descer para baixo, ganhei uma bebezinha (não existe bebezinha, seja menino ou menina, sempre será bebezinho!). E por fim, cabe uma observação interessante, não diga meu esposo, por favor. Diga sempre meu marido e minha mulher.

 

Cuidado com casamento entre classes sociais diferentes. Como o costume é a família da mulher organizar a festa, podem ocorrer surpresas. Já presenciei cenas de novelas, com noivos e mães de noivos desmaiando ao ver tubaínas no lugar de refrigerantes, garrafões de cachaça no lugar de cerveja e bebidas destiladas, e caldeirões com arroz, feijão, ovos de galinha cozidos e descascados, carne na gordura e abobrinha no lugar de salgados. E para completar e sem exagerar em nada, havia em uma das festas, uma imensa bacia de alumínio cheia de laranjas e ao lado uma faca e um latão de lixo para que, à medida que os convidados descascassem as laranjas, jogassem as cascas no lixo. Nada haveria de errado nestas festas, se uma das partes fosse da alta sociedade, acostumada a visitar o museu do Louvre, participar da alta sociedade, viver focada na aparência e no que “os outros pensam ou vão dizer” e num momento tão especial, como um casamento de um filho, deixar tudo nas mãos da família que é mais humilde, pois geralmente essa família vai pegar toda sua economia para fazer uma festa que pensará que estará agradando, mas que na verdade para a outra família será “pagar um verdadeiro mico perante os amigos”. Então se você se encaixar neste caso, banque a festa, diga que é presente e evitará surpresas assim.

 

Ira: Raiva, ódio mortal, rancor por determinada pessoa. Isso pode ser sentido após um rompimento amoroso e ter um final, nem sempre feliz.

É comum ex-mulheres, ex-maridos e ex-namorados inconformados com a separação, manterem-se inertes durante certo tempo, parecendo até mesmo que nem se importaram com a separação, mas quando o ex se envolve com uma nova pessoa, os problemas aparecem. Nesse momento, o inconformado jogará toda a sua ira, frustrações que a vida em geral lhe deram no ex parceiro e no novo companheiro (a). Inicia-se um ciclo vicioso onde a ira passa a ser o centro da vida daquela pessoa, ela sente apenas vontade de descontar toda sua raiva e seu ódio em terceiros.
Uma pessoa não é trocada por outra, um casamento ou namoro não é desfeito porque outra pessoa apareceu, na verdade já não havia casamento, já não existia aquele elo que os ligava, aquele amor de anos atrás. E não existe uma mágica caso a terceira pessoa venha a desaparecer que tudo voltará a ser como antes. Já não existe mais aquele casal, o tempo e as circunstâncias mudaram.
O problema é incutir isso na mente de uma pessoa que acabou de ter um relacionamento rompido. Inicialmente, essa ira, em pequena quantidade é considerada normal e previsível. Mas quando os meses se passam e começam a passar anos e em determinados casos, até décadas, e essa ira ainda continua, essa pessoa se torna neurótica e doentia. Ela simplesmente para sua vida e não consegue fazer nada além de sentir ira pela outra pessoa. E o que isso significa? Significa que a pessoa que se acha abandonada, trocada, traída se torna cega emocionalmente e racionalmente, só consegue sentir raiva e ódio e não consegue ter uma vida saudável, pois amigos se sentem constrangidos por estar com uma pessoa que, caso o ex apareça na companhia do novo parceiro, em algum momento poderá haver uma explosão de sentimentos ruins, um ataque de loucura, um verdadeiro barraco, assim as amizades tornam-se tensas e a pessoa começa a ser evitada. Os filhos tornam-se doentes emocionalmente e não tem a coragem de dizer o que sentem pelo pai ou mãe que rompeu o relacionamento; a maioria dos filhos, onde um dos pais está acometido de tamanha ira, prefere, por medo, dizer que não quer ver o pai ou que não gosta mais dele, como forma de não se tornar mais um alvo da pessoa irada.
Na verdade não existe abandono, não somos objetos e sim, seres humanos inteligentes e aptos a escolhermos o que queremos para as nossas vidas, e com quem queremos ficar, estarmos juntos, somos donos das nossas vidas e escolhas. Não quer dizer que se num determinado ano iniciou-se um relacionamento que ele deve perdurar eternamente. Nem a vida é eterna, porque relacionamentos deveriam ser? Do contrário, iniciar um relacionamento seria desaconselhável, pois você teria a obrigação de ficar com determinada pessoa a vida toda, sem direito de mudar de opinião ao ver que aquela pessoa não era quem você pensava ou talvez mudou com o passar do tempo. Este costume religioso de ficarmos juntos até que a morte nos separe deve ser analisado sob novo ângulo, pois antigamente as mulheres tinham dez, quinze ou até vinte filhos. As pessoas viviam bem menos que hoje. Nesses casos é totalmente racional o casamento ser eterno, pois como separar um casal com vinte filhos? Não existia, até 1977, a Lei do Divórcio. Os tempos mudaram e as pessoas devem saber acompanhar essa mudança ao se depararem com a própria separação ou com separações em família ou de casais amigos e não fazer disso motivo de ódio eterno, desejo e cede de vingança, romper amizades de décadas.
Ira é sinônimo de ódio; rancor; raiva; sentimento de profunda inimizade; paixão que conduz ao mal que se faz ou se deseja a outrem; rancor violento e duradouro.
Ódio mortal ou ódio figadal, o que é muito intenso e leva uma pessoa a desejar a morte de outra. Dentre os sete pecados capitais, a ira, é o que mais prejudica a todos. Pois a preguiça vitimará apenas o preguiçoso ou algum parente que o sustentará; a luxúria, a avareza, a gula e o orgulho vão prejudicar apenas a pessoa que comete um destes pecados, já a inveja, esta prejudica a muitos e também adoece não somente o invejoso como o invejado. Mas a IRA consegue prejudicar mais vidas. Porém, trata-se de uma atitude doentia, impensada e que futuramente vai lhe trazer problemas, pois quem semeia vento, colhe furacões e quem planta ódio vai colher algo muito pior que isso.
Jogar sua ira contra quem quer que seja prejudica o alvo da sua raiva, mas também esse ódio se volta contra você mesma e não terá efeito prático como uma reconciliação apenas sobrará pessoas feridas. Essa ira acaba afetando pessoas que amamos como filhos, parentes e amigos, que se vêem obrigados a ouvir durante horas, dias, semanas, meses e anos as mesmas palavras de ódio, a mesma ladainha de que o atual parceiro é isso ou aquilo, é culpado pela separação, dentre outras frustrações. Isso gera desconforto, causa uma confusão na mente dos filhos menores, pois ao verem e conviverem com uma pessoa com tanta raiva contida, acabam acreditando que casamentos não têm futuro, relacionamentos serão inseguros, que não se deve nunca confiar no parceiro, além de que os ouvintes da pessoa irada chegam ao ponto de se sentirem exaustos e também envolvidos por esse ódio, rancor, essa ira eterna.
Se você está acometido por este pecado capital ajude a você mesmo, pois a ira leva a lugares que talvez não tenham um caminho de volta. "Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado à ela" Guimarães Rosa

 

Quando vale a pena voltar...

Escrevi um artigo que comentava até quando um casamento valia a pena. Entre inúmeras situações escrevi sobre o próprio tempo que o casal encontra-se unido; a saída dos filhos da casa dos pais, conhecida como a síndrome do ninho vazio; a rotina e o passar do tempo, que faz com que acabemos nos acostumando com aquela pessoa, aquele ser e deixamos as qualidades ofuscadas e os defeitos passam a ser vistos de uma forma mais exagerada. Ao final daquele artigo, sugeria ao casal as duas saídas mais conhecidas: reinventar o amor, esquecendo assim os erros das partes, e passando a enxergar mais as qualidades, ou enfrentar a tão evitada, sofrida e dolorida separação. Para muitas pessoas, quando o casamento está com a “corda no pescoço”, seja por dívidas, a chegada de uma terceira pessoa, vícios reiterados e não tratados, o amor que se transforma em amizade, o ninho vazio com a saída dos filhos, a própria aposentadoria que faz com que o casal permaneça mais tempo juntos e inúmeros outros motivos, chega um momento explosivo onde a pessoa resolve enfrentar a separação e “chutar literalmente o balde”: sai da sua casa e do seu amado lar.

Porém, após os primeiros meses fora do lar ou ausente da vida daquela pessoa que te acompanhou por anos, daquela pessoa que na maioria das vezes te conhece mais que muitos dos seus amigos e parentes, um enorme dilema toma conta da sua vida e dos seus pensamentos: Eu realmente deveria ter me separado? E se eu tivesse ficado? E se tivesse tentado mais uma vez ou se tivesse feito desta última tentativa tudo diferente?

E são esses “SES...” que invadem e confundem nossos sentimentos, tornando-se pesos em nossas vidas e chegando ao ponto de nos tirar da posição de vítimas, para vilões covardes. Os papéis se invertem em nossas mentes, tudo por causa do famoso e perturbador “se”.

Nesse momento em que pensamentos apoderarem-se da nossa mente, o ideal é largar os “ses” de lado, as culpas, as mágoas, as lágrimas e, pensar usando somente a razão, tentando responder de forma natural, para você mesmo, a seguinte pergunta: Saí de casa porque coloquei meu casamento na balança e ele não passou? Ou seja, os defeitos e tristezas pesaram mais que as qualidades e alegrias na maioria dos dias? Como tem sido meus dias, minhas tardes e noites? Estou conseguindo dormir por medo do novo lugar, situação e de um futuro incerto, mas tranquilo ou minha insônia se dá em razão da saudade? Estou me sentindo mais leve, mais livre e feliz? Tenho visitado pessoas que não via há muito tempo e me sentido feliz, ou essas visitas são somente para falar da minha separação e o quão me deixou infeliz? Tenho notado que me pego rindo à toa ou chorando? Tenho vontade de sair com amigos ou prefiro a cama solitária? Minha aparência mudou para melhor? Como me vejo hoje no espelho: Uma pessoa mais feliz e bonita ou o contrário?

Parecem perguntas bobas, mas não são. São por meio de perguntas assim que somente você que se separou poderá responder a você mesmo com toda a sinceridade. E são as respostas destas perguntas que vai te dizer se vale a pena voltar... Pois essa decisão deve ser fria, solitária, sem sentimentos e ressentimentos, de forma clara e objetiva e, respondida por você e para você. Lembrando que uma volta errada pode lhe trazer mais problemas que antes, mas o erro de não voltar quando esta é a decisão mais acertada, pode lhe gerar arrependimentos por toda uma vida ou grande parte do que resta dela.

Como disse Arnaldo Jabor: “Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu... Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação... Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.”

 

Sentimento de vazio, mais parece um tiro no meio do peito

O que fazer com esse sentimento de vazio que nos visita quando nos desapontamos com quem amamos ou mesmo com aqueles que, apesar de terem nos magoado no passado, receberam uma segunda chance e vimos que ela foi inútil, tudo continua como antes.
É muito comum criarmos expectativas sobre as pessoas, principalmente àquelas que nos despertam pouco ou muito afeto, como parentes próximos ou não, chefes, colegas de trabalho, empregados e amigos. Esperamos o mesmo tratamento que damos a estas pessoas, afinal, são ao menos, para nós, pessoas queridas, a quem desejamos o bem. Porém, o mundo é ingrato e difícil de ser vivido. Você faz de tudo para que uma determinada pessoa ao menos te enxergue como você é e assim o respeite e que lhe tenha ao menos consideração por tudo que faz por ela, mas a vida não é assim, o bem que faz ou as chances que você dá para determinadas pessoas receberá em troca respostas advindas de atos de que não foi mais que sua obrigação.
Nesse momento em que criamos expectativas nos mais variados relacionamentos e temos aquele desapontamento, o mundo parece que desaba de uma vez sobre nós, nos sentimos atônitos, o chão some sob nossos pés, e nasce um sentimento de tristeza profunda que se não formos muito persistentes com a vida e tentar seguir em frente, podemos cair em uma cama e dela levantarmos depois de muito tempo e somente com cuidados médicos. Por isso, nesses inevitáveis desapontamentos que teremos pela vida, o ideal é levar um dia de cada vez, se sobreviver a um dia, entenda como vitória e faça isso com os demais dias que se seguirem até que a dor seja cicatrizada pelo tempo.
Esse sentimento de vazio ocorre muitas das vezes quando nos desapontamos com pessoas importantes em nossas vidas, como numa traição, um obrigado não dito, uma confiança não correspondida, um funcionário ou chefe que não corresponde às suas expectativas, um emprego que te sufoca, aqueles parentes que te cobram esse grau de parentesco no momento dos ônus, mas nos momentos dos bônus escolhem outros parentes para curtirem a vida e festejarem, amigos que ao terem uma grande ascensão social te excluem da sua roda de amizades e motivos e mais motivos para te darem esse vazio imenso no peito, que chega a doer como um início de infarto.
Esse sentimento de vazio faz parte da nossa existência, como diz Rubens Alves: “A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta.
A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida.
Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito.
E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas.
A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas quando não são autoritárias.
Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar.
A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade”...

Então às vezes sentir-se vazio lhe trará um bem futuro, pois lhe dará oportunidade de repensar relacionamentos, amizades, amores, trabalhos. E fazer como diz Rubens Alves ficar num vazio como a lagarta para transformar-se numa borboleta. Pena é que não queríamos que a vida fosse assim, e sim que as pessoas nos entendessem e ouvissem o que sentimentos. Mas devemos como lição de vida saber olhar o lado alheio, ou seja, o lado oposto.
Se pensa: Meu chefe nunca me ouve, me critica, não me reconhece, não me elogia, não quer saber dos meus problemas... Será que você realmente está dando a ele tudo que prometeu quando entrou para a empresa de que faz parte? Será que seu chefe não tem mais problemas que os seus? Ou será que simplesmente por ser um empregador ele não tem problemas familiares, de saúde, financeiros, falta de tempo? Será que ele tem tempo para os próprios filhos, pois caso não tenha tempo nem para seus filhos, então como terá para os funcionários? Não seria cobrar de alguém algo que essa pessoa não pode te dar?
E o filho que pensa: Meu pai não me dá tudo que mereço, ele não me valoriza, ele olha somente para dentro de si mesmo, é um vaidoso e narcisista. Eu te pergunto: Você já observou a vida que ele leva? Os tombos que levou, as perdas que teve na vida, as lágrimas que você nem viu caírem? Será que a vida dele é tão abastarda como pensa? Ou está vendo um pai que não existe?
Quando o empregador espera do empregado mais que este pode dar, infelizmente o empregador deve se conformar que colocou uma pessoa maior que o cargo, ou quando o empregador não aumenta o salário ou as condições daquele funcionário imprescindível na empresa, sendo que este assim trabalha insatisfeito, será que não falta nesse caso uma comunicação direta, pois não estaríamos diante de uma pessoa maior que seu cargo?

“Na mitologia grega, a mãe de Eros, o desejo, é a Penúria, a falta. Sabiamente, os gregos colocavam a carência como a origem de tudo que desejamos na vida. Para eles, esse gosto de escassez, de insuficiência, de insatisfação é a grande faísca que dá partida às nossas ações, planos e sonhos”, diz a professora de mitologia Helenice Hartmann. Se formos observar, esperamos da vida e das pessoas mais do que elas podem nos dar ou querem nos dar e isso é uma das causas desse vazio no peito. O ideal é tentar achar e conviver com pessoas que pensam como nós, que tem os mesmos princípios e ideais de vida. Pois quem sabe assim seja possível ser feliz?

 

Ser rico qualquer um consegue, mas ser chique está na alma

Em meu último artigo “Gafes Intoleráveis” citei o casal da panela de pressão, apesar da curiosidade divinopolitana, não posso citar nomes; também mencionei o dedinho mínimo levantado ao se pegar um copo qualquer; as festas de pessoas de alto poder aquisitivo regadas a tropeiro e o churrasco que o parente chega com a famosa panela de alumínio contendo arroz e ainda por cima, amarrada por um pedaço de pano qualquer.

Diante dos comentários deste artigo, me pediram a segunda parte de “Gafes intoleráveis”, posto isto, começo com uma de arrepiar:

Por que tem cantores que deixam a unha do dedo mínimo (mindinho) crescer? É para auxiliar na limpeza do ouvido? Pelo amor ao Deus da nojeira, cortem as unhas destes caras.

Hello noivas! Quando forem avisar que irão se casar não exijam que o convidado não vá de preto ou branco, pois todo mundo já sabe disso, acho que somente a noiva desavisada que não. Também não coloque nos convites de casamento o traje, pois é inconcebível para este tipo de evento.

Falando de casamentos, vai mais duas gafes terríveis: uma é a tal vaquinha para a lua de mel, se o casal é tão pobre assim, é melhor nem começar uma vida a dois, não vai dar certo, pois pobreza e amor são inimigos. E segundo, cortar gravata em troca de cinco, dez, cinquenta reais... Sem comentários. Novo tipo de filantropia, mas forçada.

Machucou um dos pés ou dedos dos pés e precisa mesmo ir trabalhar? Tudo bem, mas das duas uma: ou vá de chinelos de couro ou sandálias de couro, caso não consiga calçar os sapatos. Mas pelo amor a Orixá, não se atreva a bancar o palhaço da instituição calçando em um dos pés o sapato e no outro (o pé machucado) um chinelo “havaiana”. Quer matar quantos com uma bizarrice destas?

E o cafezinho? Seja servido em casa ou na empresa. Deve ser quente e de preferência, que seja passado na hora, do contrário é gafe servir café frio, ninguém merece.

 Nunca entre na vida alheia em situações que se iniciam com a letra D: Divórcio, doença, depressão, dívidas, dieta, drogas, diabetes... Se a própria pessoa ou familiar não iniciar a conversa, não entre, pois é campo minado e pode ouvir o que não estará preparado.

Gafes em hospital: Essa é de amargar e causar raiva. Você acaba de ter um bebê, está exausta, quer curtir o mais novo membro da família, mas também quer mostrá-lo aos parentes e amigos... Porém, chegam os desavisados, com perfume até embaixo dos sapatos ou com flores que mais parecem coroas de velório, é espirro para todo lado, o bebê deve ser levado às pressas para outra ala do hospital e a mãe quase perde os pontos da operação de tanto espirrar. E como se não bastasse, têm os malas que começam a bater papo, rir alto e não vão embora por nada no mundo.

Hoje ir para o exterior, tendo parentes ou amigos pobres, é motivo de preocupação e a viagem se torna segredo de Estado, pois do contrário, serão tantas encomendas que você mesma não aproveitará um dia sequer da sua viagem.

Enclausuramento forçado de médicos, advogados, empresários e outros profissionais liberais: Tem se tornado cada vez mais difícil para estas pessoas sair de casa e frequentar bares, restaurantes e clubes sem ser abordados por pessoas conhecidas ou não a pedidos de emprego ou para entregar currículos. Por favor, a pessoa na rua não é médico, não é dentista, não é empresário, ela é gente. E como todo mundo tem o direito de sair e ficar quieto sem ter que ir embora carregando envelopes de currículos. Daqui uns dias só faltam pedir aos médicos que meçam a pressão em bares ou restaurantes.

E para finalizar é uma gafe pedir em festas ou locais com músicas ao vivo que músicos mais refinados cantem músicas bregas, ou seja, “cafonas”. Já ouvi de um cantor de MPB que quase vomitou quando leu um bilhetinho que lhe foi entregue pelo garçom pedindo-o que tocasse uma coisa tipo “sertanejo universitário”. Quer ser barango? Que procure um ambiente mais popular.

 

Whatsapp: Vida emocionante e esnobe, mas fantasiosa

Hoje em dia, as pessoas estão preferindo comunicar-se virtualmente em vez de pessoalmente. Parece que estamos diante de uma fobia social. Interagimos o tempo todo no mundo virtual, mas corremos das pessoas quando precisamos sentar ao lado delas, de ter que olhar olho no olho, de conversar mais intimamente sobre nossas vidas, famílias e trabalho.

Encontros, como festinhas em família, entre amigos de faculdade, vizinhos em condomínios são marcadas geralmente pelo whatsapp. Estamos tentando ser mais “relacionáveis”, mas, ao mesmo tempo, acabamos ficando cada vez mais isolados. Vivemos e convivemos com um dos piores males do século: “a fobia social, ou seja, a falta de interação presencial”.

Recentemente, em um dos grupos de whatsapp que participava, fiquei em total nostalgia, pois, durante uns três meses, combinávamos detalhes de uma viagem no final do ano. Eram frases lindas de amizade, beijinhos, flores e tudo que é “emojis”. Mas durante o encontro pessoal, essa alegria, essa amizade que, até então era para serem flores, beijos e abraços, ficou totalmente apática, sem graça. Cada um em seu canto, como se todos estivessem doentes e deprimidos. Pensei muito sobre o assunto e, em minha opinião, as pessoas evitam contatos pessoais. Não tem mais aquela coragem de olhar nos olhos. E para piorar, todos andam sensíveis demais, temos que conversar pisando em ovos e com uma fita métrica, ou até um paquímetro, para medir cada frase que iremos proferir.

Em todos os grupos nos quais nos relacionamos, estamos criando grupos de whatsapp; porém, essa mania, se não for bem conduzida, pode causar intrigas, mágoas e criar verdadeiras gafes escritas.

Em grupos familiares de whatsapp, é complicado conseguir agradar a todos, sem nos darmos conta, acabamos cometendo algumas gafes, como exemplo: contar que tal parente contou que está doente; talvez esse “contou” era para ficar em segredo entre o doente e um familiar e, de repente, por culpa do grupo no whatsapp, a família inteira fica sabendo e começam as especulações. Também tem os tios malas que vigiam o que os sobrinhos postam, como: o que “fulano “estava fazendo acordado às quatro horas da madrugada, olhem só o horário que ele postou tal mensagem?” O ideal é separar a família em grupo por afinidades, evitando-se conflitos desnecessários.

Em condomínios, temos que redobrar a atenção, pois, não são amigos de infância e muito menos parentes, assim a tolerância com o que se escreve é bem menor. Vou dar como exemplo: um condomínio, ou melhor, um prédio de oito andares, com quatro apartamentos por andar, tendo cada um, uma média de dois moradores adultos, teremos nesse caso uns sessenta moradores. Se quarenta moradores fizerem parte do grupo do whatsapp, olhem só os inconvenientes, indiscrições e casos de verdadeiras gafes ou falta de boas maneiras que podem ocorrer e, portanto, podem ser evitados.

O morador x resolve dar uma festa, mas quer convidar somente três moradores, ou seja, os moradores de três apartamentos. Nesse caso, por favor, não esqueça as boas maneiras; ligue para cada um deles, ou vá até o apartamento, ou crie um grupo com apenas esses moradores. Mas não deixe o restante saber que vai ter uma festa e que você e mais uns vinte moradores não são convidados.

Comprou o carro blindado, que é o sonho de consumo de muita gente, ou adquiriu um helicóptero ou um jatinho, não precisa postar suas posses em grupos de whatsapp. Pergunto: nasceu pobre não foi? Pois, para rico, em uma mesa de buteco ou no churrasco do condomínio, esse assunto talvez flua naturalmente.

Educação não é sorrir e mostrar os dentes de siso, mas saber respeitar as diferenças, os gostos e, acima de tudo, os vizinhos, amigos e parentes. E a finalidade do whatsapp é aproximar as pessoas, seja por meio de elogios, convites para festinhas ou churrascos, apoio em momentos necessários, mas não para mostrar que tem isso ou aquilo; que vai dar uma festa, porém citando determinados nomes de um grupo grande, ou seja, excluindo os demais. Troque os nomes por frases simples como: Turma ou amigos ou família vamos fazer um churrasco? Ou talvez que “resolvi fazer uma festinha, quem quer participar? Deixe os sorrisos falsos de lado e utilize mais das boas maneiras.

Hoje em dia, as pessoas estão preferindo comunicar-se virtualmente em vez de pessoalmente. Parece que estamos diante de uma fobia social. Interagimos o tempo todo no mundo virtual, mas corremos das pessoas quando precisamos sentar ao lado delas, de ter que olhar olho no olho, de conversar mais intimamente sobre nossas vidas, famílias e trabalho.

Encontros, como festinhas em família, entre amigos de faculdade, vizinhos em condomínios são marcadas geralmente pelo whatsapp. Estamos tentando ser mais “relacionáveis”, mas, ao mesmo tempo, acabamos ficando cada vez mais isolados. Vivemos e convivemos com um dos piores males do século: “a fobia social, ou seja, a falta de interação presencial”.

Recentemente, em um dos grupos de whatsapp que participava, fiquei em total nostalgia, pois, durante uns três meses, combinávamos detalhes de uma viagem no final do ano. Eram frases lindas de amizade, beijinhos, flores e tudo que é “emojis”. Mas durante o encontro pessoal, essa alegria, essa amizade que, até então era para serem flores, beijos e abraços, ficou totalmente apática, sem graça. Cada um em seu canto, como se todos estivessem doentes e deprimidos. Pensei muito sobre o assunto e, em minha opinião, as pessoas evitam contatos pessoais. Não tem mais aquela coragem de olhar nos olhos. E para piorar, todos andam sensíveis demais, temos que conversar pisando em ovos e com uma fita métrica, ou até um paquímetro, para medir cada frase que iremos proferir.

Em todos os grupos nos quais nos relacionamos, estamos criando grupos de whatsapp; porém, essa mania, se não for bem conduzida, pode causar intrigas, mágoas e criar verdadeiras gafes escritas.

Em grupos familiares de whatsapp, é complicado conseguir agradar a todos, sem nos darmos conta, acabamos cometendo algumas gafes, como exemplo: contar que tal parente contou que está doente; talvez esse “contou” era para ficar em segredo entre o doente e um familiar e, de repente, por culpa do grupo no whatsapp, a família inteira fica sabendo e começam as especulações. Também tem os tios malas que vigiam o que os sobrinhos postam, como: o que “fulano “estava fazendo acordado às quatro horas da madrugada, olhem só o horário que ele postou tal mensagem?” O ideal é separar a família em grupo por afinidades, evitando-se conflitos desnecessários.

Em condomínios, temos que redobrar a atenção, pois, não são amigos de infância e muito menos parentes, assim a tolerância com o que se escreve é bem menor. Vou dar como exemplo: um condomínio, ou melhor, um prédio de oito andares, com quatro apartamentos por andar, tendo cada um, uma média de dois moradores adultos, teremos nesse caso uns sessenta moradores. Se quarenta moradores fizerem parte do grupo do whatsapp, olhem só os inconvenientes, indiscrições e casos de verdadeiras gafes ou falta de boas maneiras que podem ocorrer e, portanto, podem ser evitados.

O morador x resolve dar uma festa, mas quer convidar somente três moradores, ou seja, os moradores de três apartamentos. Nesse caso, por favor, não esqueça as boas maneiras; ligue para cada um deles, ou vá até o apartamento, ou crie um grupo com apenas esses moradores. Mas não deixe o restante saber que vai ter uma festa e que você e mais uns vinte moradores não são convidados.

Comprou o carro blindado, que é o sonho de consumo de muita gente, ou adquiriu um helicóptero ou um jatinho, não precisa postar suas posses em grupos de whatsapp. Pergunto: nasceu pobre não foi? Pois, para rico, em uma mesa de buteco ou no churrasco do condomínio, esse assunto talvez flua naturalmente.

Educação não é sorrir e mostrar os dentes de siso, mas saber respeitar as diferenças, os gostos e, acima de tudo, os vizinhos, amigos e parentes. E a finalidade do whatsapp é aproximar as pessoas, seja por meio de elogios, convites para festinhas ou churrascos, apoio em momentos necessários, mas não para mostrar que tem isso ou aquilo; que vai dar uma festa, porém citando determinados nomes de um grupo grande, ou seja, excluindo os demais. Troque os nomes por frases simples como: Turma ou amigos ou família vamos fazer um churrasco? Ou talvez que “resolvi fazer uma festinha, quem quer participar? Deixe os sorrisos falsos de lado e utilize mais das boas maneiras.

 

Minha árvore de Natal tem duas bolas a menos

Quando crianças, todos os anos, esperávamos ansiosos o mês de dezembro para ver a árvore de Natal ser decorada. As árvores eram feitas, geralmente, de galhos secos ou de pinheiros que pegávamos na zona rural. Tudo era bem artesanal, e nossas tias, avós ou mães iam decorando a árvore com lindas bolas vermelhas e finalizavam com uma estrela. Era um momento encantador, pois ainda sabíamos contemplar o belo. Meu avô paterno colocava músicas natalinas na antiga radiola e a vida era tão simples, descomplicada e muito feliz.

Com o tempo tudo vai se complicando, talvez por perdermos um pouco o brilho e o encanto pela vida. Crescemos, casamos, temos nossos filhos, eles abandonam seus ninhos e alçam voos sozinhos, as famílias vão tendo as primeiras separações, primeiras perdas de entes queridos e vimos com olhos tristes nossos avós envelhecerem a cada Natal.

Ao iniciar a faculdade, tive minha primeira e própria árvore de Natal e, para enfeitá-la, pensei em cada familiar e amigo importante em minha vida e comprei uma bola para representar cada uma destas pessoas. À medida que o tempo passava, mais bolas eu adicionava em minha árvore. Eram tantas bolas, tantos amigos e parentes queridos que minha árvore era bem mais vermelha que verde.

Há treze anos, minha árvore perdeu a primeira bola: eu não tinha mais o meu avô paterno naquele Natal. Os anos se passaram e pessoas muito especiais foram partindo e minha árvore ia ficando cada vez mais vazia. O pior Natal da minha vida foi há dois anos, quando ao montar a minha árvore, a bola mais bela, que representava a mulher que considerei como mãe, não estava mais presente. E foi assim que vi que faltavam várias bolas em minha árvore.

Neste ano deixei de colocar mais duas bolas... Mas a vida precisa continuar e para isso temos que ter força e ver as pequenas bolinhas que vamos colocando em nossas árvores com o passar da vida. Novos amigos, sobrinhos, netos.

Hoje me vejo com uma árvore bonita, mas nunca como antes. Mas penso em meus filhos e em suas árvores, sei que, enquanto a estrela da minha árvore brilhar, as árvores dos meus filhos terão uma linda e bela bola vermelha, como eu tive por muitos anos. Vamos tentar ser felizes com as bolas vermelhas que ainda temos.