Quando o Alzheimer visita sua família

Quando tudo começa, achamos que é coisa da idade e que logo a pessoa querida vai melhorar. Na maioria das vezes tudo se inicia como pequenas falhas  ou lapsos na memória, como trocar uma data ou horário, trocar nomes dos netos. Com o passar dos meses ou anos, esses lapsos tornam-se frequentes e percebemos que está na hora de procurar ajuda médica. Nesse momento, ficamos anestesiados, sem reação, até que o tempo começa a nos mostrar que a doença de Alzheimer requer medicação, muito cuidado e acima de tudo, muito carinho e compreensão.

Orestes Forlenza é médico psiquiatra e trabalha no Laboratório de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; em entrevista dada a Dráuzio Varela ele explica que, quanto antes a família procurar tratamento, melhor será para o ente querido. Em sua entrevista ele diz que: “Quanto mais precocemente começar o tratamento, melhor. Não que ele não valha a pena quando a doença já avançou. Às vezes, a medicação ajuda o indivíduo, que estava perdendo certas habilidades, a recuperá-las por algum tempo até que a evolução do quadro faça com que sejam perdidas de novo. Assim, funções cognitivas, memória, capacidade de processamento mental, comportamento e controle esfincteriano, por exemplo, podem ter benefício expressivo com o tratamento medicamentoso adequado”.

Quando convivemos com o Alzheimer devemos mudar muitos conceitos, mudar até mesmo nossa rotina diária e se adaptar a uma vida diversa daquela levávamos, para que com isso tornemos mais amena acaminhada ao lado do Alzheimer. As dicas abaixo podem melhorar essa caminhada:

 

Ficar atento à passeios ou avisos de que está saindo para dar uma caminhada: O idoso pode não conseguir fazer a mesma rota do dia anterior e pode vir a se perder. É comum vermos publicações em jornais de famílias aflitas procurando o ente querido. Por isso fique atento e diga que lhe fará companhia ou façam um revezamento em família para não sobrecarregar ninguém, e também para não deixar que o ente, que agora precisa de ajuda, deixe de passear ou fazer sua caminhada.

Sinais de alerta: Fique atento para sinais de isolamento social e apatia por tudo que antes o idoso tinha prazer em fazer. Os parentes devem ficar atentos para mudanças drásticas de comportamento, como deixar de ir ao supermercado, padaria, fazer a caminhada da tarde, deixar de assistir televisão, deixar de ligar semanalmente para os filhos e netos, deixar de almoçar em família aos domingos. Tudo que antes era rotina e deixa repentinamente de ser requer muita atenção. O especialista que acompanha o ente querido deve ser avisado dessas mudanças de comportamento, pois, pode ser o início de uma depressão ou agravamento da doença.

Perda da memória presente com manutenção da memória passada: O portador do Alzheimer não tem mais a capacidade de memorizar o que fez há poucas horas, como se tomou determinado remédio ou se almoçou, mas consegue se lembrar de coisas que fez há 10 ou 30 anos atrás com muita clareza. Por isso procure conversar mais sobre fatos passados, da época em que ele trabalhava e era mais saudável, dos passeios que fez.

Use frases mais simples para perguntar e aguarde mais tempo para receber uma resposta: Quando for se comunicar com o idoso use frases mais simples e curtas, fale um pouco mais alto e de forma mais clara, principalmente se for ao telefone. Frases longas podem ser esquecidas e isso pode gerar uma enorme frustração. Por isso faça uma pergunta de cada vez e aguarde mais tempo que o habitual para ter sua resposta, pois com o tempo uma resposta simples requer um grande raciocínio. E nunca conserte respostas erradas.

Por fim, tente passar o maior tempo que puder ao lado do portador de Alzheimer, cada dia é único, cada abraço é como se fosse o último e um dia sentiremos aquela dor inconsolável de ouvir, pela vigésima vez, aquele caso que era contado todos os dias e da mesma forma.