Ira: Raiva, ódio mortal, rancor por determinada pessoa. Isso pode ser sentido após um rompimento amoroso e ter um final, nem sempre feliz.

É comum ex-mulheres, ex-maridos e ex-namorados inconformados com a separação, manterem-se inertes durante certo tempo, parecendo até mesmo que nem se importaram com a separação, mas quando o ex se envolve com uma nova pessoa, os problemas aparecem. Nesse momento, o inconformado jogará toda a sua ira, frustrações que a vida em geral lhe deram no ex parceiro e no novo companheiro (a). Inicia-se um ciclo vicioso onde a ira passa a ser o centro da vida daquela pessoa, ela sente apenas vontade de descontar toda sua raiva e seu ódio em terceiros.
Uma pessoa não é trocada por outra, um casamento ou namoro não é desfeito porque outra pessoa apareceu, na verdade já não havia casamento, já não existia aquele elo que os ligava, aquele amor de anos atrás. E não existe uma mágica caso a terceira pessoa venha a desaparecer que tudo voltará a ser como antes. Já não existe mais aquele casal, o tempo e as circunstâncias mudaram.
O problema é incutir isso na mente de uma pessoa que acabou de ter um relacionamento rompido. Inicialmente, essa ira, em pequena quantidade é considerada normal e previsível. Mas quando os meses se passam e começam a passar anos e em determinados casos, até décadas, e essa ira ainda continua, essa pessoa se torna neurótica e doentia. Ela simplesmente para sua vida e não consegue fazer nada além de sentir ira pela outra pessoa. E o que isso significa? Significa que a pessoa que se acha abandonada, trocada, traída se torna cega emocionalmente e racionalmente, só consegue sentir raiva e ódio e não consegue ter uma vida saudável, pois amigos se sentem constrangidos por estar com uma pessoa que, caso o ex apareça na companhia do novo parceiro, em algum momento poderá haver uma explosão de sentimentos ruins, um ataque de loucura, um verdadeiro barraco, assim as amizades tornam-se tensas e a pessoa começa a ser evitada. Os filhos tornam-se doentes emocionalmente e não tem a coragem de dizer o que sentem pelo pai ou mãe que rompeu o relacionamento; a maioria dos filhos, onde um dos pais está acometido de tamanha ira, prefere, por medo, dizer que não quer ver o pai ou que não gosta mais dele, como forma de não se tornar mais um alvo da pessoa irada.
Na verdade não existe abandono, não somos objetos e sim, seres humanos inteligentes e aptos a escolhermos o que queremos para as nossas vidas, e com quem queremos ficar, estarmos juntos, somos donos das nossas vidas e escolhas. Não quer dizer que se num determinado ano iniciou-se um relacionamento que ele deve perdurar eternamente. Nem a vida é eterna, porque relacionamentos deveriam ser? Do contrário, iniciar um relacionamento seria desaconselhável, pois você teria a obrigação de ficar com determinada pessoa a vida toda, sem direito de mudar de opinião ao ver que aquela pessoa não era quem você pensava ou talvez mudou com o passar do tempo. Este costume religioso de ficarmos juntos até que a morte nos separe deve ser analisado sob novo ângulo, pois antigamente as mulheres tinham dez, quinze ou até vinte filhos. As pessoas viviam bem menos que hoje. Nesses casos é totalmente racional o casamento ser eterno, pois como separar um casal com vinte filhos? Não existia, até 1977, a Lei do Divórcio. Os tempos mudaram e as pessoas devem saber acompanhar essa mudança ao se depararem com a própria separação ou com separações em família ou de casais amigos e não fazer disso motivo de ódio eterno, desejo e cede de vingança, romper amizades de décadas.
Ira é sinônimo de ódio; rancor; raiva; sentimento de profunda inimizade; paixão que conduz ao mal que se faz ou se deseja a outrem; rancor violento e duradouro.
Ódio mortal ou ódio figadal, o que é muito intenso e leva uma pessoa a desejar a morte de outra. Dentre os sete pecados capitais, a ira, é o que mais prejudica a todos. Pois a preguiça vitimará apenas o preguiçoso ou algum parente que o sustentará; a luxúria, a avareza, a gula e o orgulho vão prejudicar apenas a pessoa que comete um destes pecados, já a inveja, esta prejudica a muitos e também adoece não somente o invejoso como o invejado. Mas a IRA consegue prejudicar mais vidas. Porém, trata-se de uma atitude doentia, impensada e que futuramente vai lhe trazer problemas, pois quem semeia vento, colhe furacões e quem planta ódio vai colher algo muito pior que isso.
Jogar sua ira contra quem quer que seja prejudica o alvo da sua raiva, mas também esse ódio se volta contra você mesma e não terá efeito prático como uma reconciliação apenas sobrará pessoas feridas. Essa ira acaba afetando pessoas que amamos como filhos, parentes e amigos, que se vêem obrigados a ouvir durante horas, dias, semanas, meses e anos as mesmas palavras de ódio, a mesma ladainha de que o atual parceiro é isso ou aquilo, é culpado pela separação, dentre outras frustrações. Isso gera desconforto, causa uma confusão na mente dos filhos menores, pois ao verem e conviverem com uma pessoa com tanta raiva contida, acabam acreditando que casamentos não têm futuro, relacionamentos serão inseguros, que não se deve nunca confiar no parceiro, além de que os ouvintes da pessoa irada chegam ao ponto de se sentirem exaustos e também envolvidos por esse ódio, rancor, essa ira eterna.
Se você está acometido por este pecado capital ajude a você mesmo, pois a ira leva a lugares que talvez não tenham um caminho de volta. "Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado à ela" Guimarães Rosa