Entrevista de estágio

Por Fernanda Vargas

Vivendo em um país em plena crise financeira, onde demissões surgem diariamente e os empregadores já exaustos com tanta corrupção, em um país com elevadíssima carga tributária e obrigações trabalhistas exorbitantes, chega às vezes ser desanimador continuar um negócio. Empregados com mais direitos que obrigações. Isso é o nosso Brasil. Gerar novos empregos e colocar mais funcionários é um grande dilema, mas um mal necessário.

E são assim que surgem, em plena crise financeira, novas vagas de trabalho e estágios.

Ao divulgar vagas para estagiários de direito, é interessante como a quantidade de currículos aumenta a cada ano. Porém, os candidatos cometem alguns erros ao tentarem disputar uma vaga de estágio.

O primeiro erro já se encontra no envio do próprio currículo: erros de português; mal formatados; sem começo, meio e fim e fotos em pose de “selfie” já são um motivo de eliminação.

Em seguida, vem a análise dos currículos. Claro que, para estagiários, as exigências de uma experiência profissional são bem menores ou mínimas; assim, inicia-se um processo de entrevistas para conhecer o candidato e ver suas aptidões e, é nesse ponto, que pequenas atitudes e uma vida estudantil despreocupada fazem toda a diferença.

Quem quer participar de uma entrevista, deve ficar atento a muitas coisas. Primeiro, o mínimo que qualquer candidato deve saber é o ramo de atividade que a empresa para a qual ele está se candidatando atua. Pois, os mais preparados, leem ao menos o site da empresa, o quadro societário e os serviços prestados.

Segundo, vestir-se adequadamente para a ocasião. Se a empresa em que busca a vaga é um escritório de advocacia, eu imagino que chinelos, tênis, rasteirinha e jeans não são adequados para a ocasião. Se eu fosse um candidato, iria de terno e gravata, mesmo que pecasse pelo excesso e o calor me castigasse. Afinal, o candidato não está indo para um boteco, mas para um escritório de advocacia.

Terceiro, procurar na internet, para aqueles que os pais não souberam ensinar desde criança, como sentar-se adequadamente, fechando as pernas; como cumprimentar, sem dar beijinhos e aperto de mão mole e molhado. São pequenos atos que não tem nada de frescura para o mundo corporativo.

Quarto, não ser ousado para participar de um processo seletivo de um escritório com um mínimo de exigência. Claro que há pessoas que usam o termo estagiário para fugir dos encargos trabalhistas, quando na verdade estão à procura de um “boy” para levar e buscar documentos, tirar cópias, levar e buscar processos. Mas se a vaga é para estagiário de Direito, para ter acesso e acompanhar processos, conversar com empresários sobre ações judiciais e outras atividades da advocacia, o candidato deve ter um mínimo de conhecimentos gerais.

Entrevistando, nesta sexta-feira, vários candidatos, fiquei mais que perplexa ao perguntar do trágico acidente de quinta-feira que vitimou o Ministro Teori Zavascki. Obtive algumas respostas corretas, pois afinal ainda existem bons estudantes, mas a maioria dos candidatos nem sabia de nenhum acidente, outros disseram que foi um “chefe de estado”, “Michel Temer”, “deputado Teori” e respostas tão bizarras que algumas faculdades de direito deveriam ser repensadas.

Com perguntas básicas que meu filho de oito anos não responde mais por tédio por ser “bobas para uma criança”, a maioria dos candidatos não sabe citar nem sequer dois países da Ásia, da Europa ou da África. Não sabem em qual região do Brasil o Estado de Minas Gerais está situado.

A falta de conhecimento é tão aberrante que, quando alguém sabe responder a essas perguntas, a pessoa acaba sendo considerado “gênio”.

Afinal, num mundo de cegos quem tem um olho é rei!