Ninguém sonha em ser madrasta! É um cargo que ninguém cobiça!

Quando criança, a maioria das minhas amigas sonhavam em se casar, algumas sonhavam em ter filhos e outras sonhavam apenas em trabalhar. Já tive amigas que sonhavam em ser delegada, aeromoça, modelo, médica, veterinária e, um dia, achar um príncipe encantado, casar e ter filhos... A maioria das minhas amigas conseguiram, são felizes em seus castelos com seus príncipes.

Mas não conheci ninguém na minha infância, adolescência e nem na fase adulta que sonhou em ser madrasta. Acho que seria loucura demais para alguém jovem querer um pesadelo deste.

Seria de uma insanidade desejar: Quero encontrar um homem divorciado, bem mais velho do que eu, que tenha uma despesa fixa com a família anterior, que não seja da idade dos meus amigos e que tenha filhos que jamais irão me tolerar. Quero um homem que me traga mais problemas que soluções e que me renda boas sessões de terapia! Isto é um pesadelo! Ninguém sonha com isso. Ninguém!

 Quando nos casamos, não pensamos, em um primeiro momento, que iremos nos separar; as separações acontecem por motivos totalmente alheios à nossa vontade. Grande parte dos relacionamentos dão muito certo e na verdade não podemos julgar que um casamento que durou poucos anos não deu certo: na verdade deu certo por um determinado período de tempo, apenas não durou até a morte de um dos cônjuges. Mas nem todos têm escolhas acertadas, ou até mesmo sorte, e a vida de muitos casais tomam caminhos tão diferentes que, em curto espaço de tempo, encontram-se divorciados.

 Faz parte da natureza humana querer estar ao lado de alguém, e não é porque você se separou, seja o motivo qual for, que você será condenado a viver sozinho para sempre. Infelizmente, a quantidade de divórcios tem aumentado, e com isso está se tornando natural as pessoas refazerem suas vidas afetivas e se casarem pela segunda vez. E toda pessoa, ao procurar um novo relacionamento, pelo menos tenta achar alguém “leve e solto”. Embora o amor quando chega para valer é “firme e forte”. Ele derruba seus planos e muitos dos seus sonhos.

 E quando o seu novo “príncipe encantado” já tem seus próprios filhos, será a vez de saber como madrasta se você tem sorte ou azar na vida. A maioria das madrastas, ao conhecer os enteados, tentará agradá-los, respeitá-los, dar-lhes carinho e cuidar deles tão bem quanto seus pais. Jamais se cogita em substituir uma mãe viva. Ao contrário dos contos de fadas, onde a madrasta entrava em cena, quando o homem ficava viúvo, aí se tornava a mãe substituta.

O problema é que a madrasta nem sempre será bem-vinda. As pessoas gostam de achar problemas aonde não existe, gostam de ser vítimas e achar culpados.

As madrastas sofrem muito devido ao excesso de comparação, pois em tudo que ela for pior que a primeira esposa ela será criticada e em tudo que for melhor ela será odiada. Dificilmente agradará: isto é uma maneira inconsciente que os filhos encontram de demonstrar para a mãe que ela é melhor. Mas isso, a longo prazo, gera infelicidade e distancia as pessoas.

E é doloroso entrar em um relacionamento onde sem ao menos conhecerem a nova mulher do pai, ela já é vista e rotulada como a madrasta dos contos de fadas.

A realidade é mais fácil se for vista do coração e não por meio de crenças ultrapassadas de que, pelo simples fato de ser uma segunda esposa, consequentemente é má, veio fazer o mal ou veio explorar o outro. E a maioria das madrastas entram com as melhores das intenções, entram para somar e agregar valores. O mundo não pode ser visto como se a maioria das pessoas fossem ruins. Ao contrário, a maioria das pessoas são boas e querem o bem.

 Nunca sonhei em ser madrasta e ter uma madrasta, mas a vida me colocou nesta posição. Eu, como enteada, vejo em minha madrasta uma segunda mãe e uma amiga e, o fato de aceitá-la é a forma que existe para eu demonstrar respeito pelo meu pai. É a forma de demonstrar para minha mãe que o meu coração é grande demais e que é possível amar as duas e de formas diferentes. Minha querida madrasta Eliza é a mulher que está ao lado do meu pai há quinze anos, cuidando dele. Não seria justo eu querer fazer da vida deles um inferno. Como não desejo isso para a minha vida.

Os enteados deveriam passar a respeitar mais seus pais e parar de culpar as madrastas por tudo que acontece em suas vidas, deveriam também parar de fazer julgamentos. Pois a partir do momento que você julga alguém, você será julgado; a partir do momento que apontar o dedo em direção a alguém terá de volta três dedos das mãos apontados para você. O coração de todo mundo é grande e cabe muitos pais e muitas mães. E a vida é curta demais para viver cultivando o ódio, culpando o pai por uma separação de anos ou até décadas. A vida é curta para não virar a página, para ficar rabiscando em coisas que já deveriam estar superadas. Amar só faz bem! Então: ame. “Perdoe o que puder ser perdoado e esquece o que não tiver perdão”. Engenheiros.

Os estragos de uma separação

Quando se sobram corações estraçalhados, cacos de vidro e lágrimas no chão

É comum amigos de infância ou adolescência ao se encontrarem após quinze, vinte anos ou mais, quererem saber da sua vida, da sua profissão e da sua família. Pedem para ver retratos dos pais e dos irmãos para verem como cresceram e ficaram. Inicialmente, os amigos riem ao se recordarem das coisas boas, mas quando perguntam pelos pais e estes, após vinte anos de casamento sólido e exemplar, se separaram vem aquele choque entre os amigos, só se ouve porquês e porquês?
Geralmente falamos em crises de casamento: A primeira vem logo no início, quando o casal passa a se conhecer de verdade, nesse momento é que se conhecem as diferenças sociais, de criação, manias e defeitos. Uma simples toalha molhada largada em cima da cama todos os dias vira um dos motivos que vão se acumulando até que em menos de dois anos o casal já se encontra separado. A segunda fase é a famosa e temida crise dos sete anos, onde a relação do casal é dividida pela atenção dos filhos ou da rotina pela falta deles. E a terceira, acontece, geralmente, por volta dos quinze ou vinte anos e advém do cansaço do dia a dia, da luta para conseguirem tudo que planejaram, pela rotina, e talvez por uma certa implicação com as manias do outro, tudo fica chato, sair é cansativo, passear à noite é coisa do passado, ir para um hotel fazenda é gastar dinheiro desnecessariamente e muitos casais criam o hábito de economizar como se fossem ter uma vida eterna. É talvez nessa segunda ou terceira crise que entra uma terceira pessoa no casamento, e o homem ou a mulher, que antes estava indisposto a sair, a gastar e a passear, muda radicalmente seus hábitos e passa a fazer com no novo parceiro tudo que dizia não poder fazer devido ao cansaço ou por querer economizar para o bem da família, como fazer longas viagens, grandes compras, passeios rotineiros, comprar móveis novos, uma casa linda e sonhada, afinal com oNOVO RELACIONAMENTO a pessoa pensa que fica uns vinte anos mais jovem.
Nesse momento a revolta se instala, e junto a ela vem a angústia, a raiva, a culpa por ter economizado tanto e para outra pessoa que nem sequer conhece, a vontade de achar o culpado, as tentativas frustradas de voltar ao que era antes. Mas não vem à mente os sinais de que o relacionamento deveria ser priorizado, que o dinheiro deveria vir em prol do casal, do contrário, quando vem a separação, tudo se divide e a parte que fica com aquele que deixou o casamento vai ser utilizada a favor do novo ou nova parceira. Porém, esse novo casamento, também completará seus sete ou quinze anos e se não for bem conduzido pela segunda vez, acabará da mesma forma que o primeiro.
Os tufões e tornados: Os filhos passam a ser uma segunda preocupação e com isso, aqueles que não tem uma boa estrutura emocional podem seguir caminhos sem volta, procurar refúgio em drogas, bebidas, ou em relacionamentos destrutivos. A família começa a se despedaçar. Os aniversários dos filhos e depois de alguns anos, os aniversários dos netos, chegam a passar despercebidos. Presentes para os filhos ou netos, quando o atual parceiro do pai ou da mãe é o dominante, chegam a ser presentes meio loucos e ridículos. Os pais raramente visitam seus filhos, afinal não se tem mais uma família.
Os álbuns de aniversários são esquecidos em algum maleiro de algum guarda-roupa, não tem mais importância, a não ser tristes lembranças. A felicidade nunca mais estará presente, o sorriso sincero, o abraço de pai e filho, tudo isso fica perdido no tempo, a família é apenas uma página de um longo diário, às vezes muitas páginas, mas que ficaram no início ou no meio do diário. Pois novas páginas passam a ser escritas, com novos atores, novos lugares, passeios, sonhos, enfim, uma nova vida.
O ente que foi abandonado torna-se uma pessoa com um coração angustiado, cheio de medo, insegurança e sem esperança. Por mais que venha a constituir uma nova família, ainda assim será aquele passarinho machucado que caiu do ninho ou que dele foi derrubado. Seus filhotes voaram para lugares distantes e, na maioria das vezes, preferem fingir um distanciamento forçado que ter que olhar nos olhos daquele, seja pai ou mãe, que morreu em parte, que vive amargurado, sem aquela vontade de promover festas com churrascos e sanfoneiros, como nos tempos que os filhos ainda eram crianças e corriam felizes entre as árvores e parentes das duas famílias, pai e mãe, e sem imaginar que um dia isso tudo lhes seria tirado, seria apenas uma parte de passado triste que não vale mais a pena ser lembrado.
"Toda separação é triste. Ela guarda memória de tempos felizes ( ou de tempos que poderiam ter sido felizes....) e nela mora a saudade." Rubem Alves

Ex-mulheres e ex-maridos, festas de final de ano te lembram o passado?

“Superar é preciso. Seguir em frente é essencial. Olhar pra trás é perda de tempo.

Passado se fosse bom era presente”. (Clarice Lispector)

Durante muito tempo, tentei entender por que pessoas tão calmas mudavam seu comportamento todos os anos, exatamente quando as festas natalinas se aproximavam.

Era intrigante ver pessoas serenas ficarem desequilibradas e nervosas ao aproximar-se o Natal. E tendo que conviver com pessoas assim, consegui entender, em parte, o que se passa no coração delas.

 Com o rompimento de um relacionamento, é natural, em alguns casos, que fiquem mágoas e ressentimentos, mas isso precisa passar nos primeiros anos da separação. O que não pode acontecer é levar essas mágoas para o resto de suas vidas. E, principalmente, deixar que esses sentimentos negativos e não superados acabem com suas festas natalinas e de pessoas que não fazem mais parte da sua vida.

Pessoas que não conseguem superar o passado, inconscientemente, jogam todas as suas frustrações e mágoas em um momento de festas, onde era para haver somente alegria. Parece que as mulheres que não estão bem resolvidas emocionalmente têm mais predisposição para colocarem na balança da vida seus temores, ódios, ressentimentos e mágoas, justamente no mês de dezembro. É como se este mês fosse o mês das lamentações e da ira.

Vivenciei casos de pessoas que simplesmente surtaram antes do Natal e cometeram asnices que jamais cometeriam; conheço casos de ex-mulheres que insistem em estarem presentes na vida de familiares e amigos do seu ex-cônjuge; outras que detonam a vida dos filhos, como se estes fossem culpados pelo término da separação e muitos casos, até mesmo cômicos, de chuvas de alfinetadas em redes sociais.

Atos assim são insanos, não trazem resoluções de problemas, nem alegrias e, muito menos, o amor da vida destas mulheres de volta. Aventurar-se em levar uma vida assim é viver um inferno na terra, é morrer antes da hora e passar uma vida angustiante. Claro que os atos destas pessoas irão ter resultado, como filhos tristes, parentes, ex-parentes e amigos constrangidos e talvez até consigam fazer que o ex-marido ou ex-mulher tenham um Natal nem tão alegre como poderiam ter. Mas o maior prejudicado é a própria pessoa, que além de demonstrar que o seu passionalismo continua, ainda continua sozinha, embora possa ter ao seu lado um “corno de intenções” e passará mais um Natal em festas rindo por fora e gritando por dentro.

                Temos que aprender que os desencontros, desentendimentos e mágoas advindas de casamentos fracassados não serão resolvidos em festas de Natal. E que a vida, por pior que se encontre, ainda continua sendo o maior presente. Permita-se, este ano, ser presenteada com a magia do Natal e deixe que o Papai Noel leve embora em seu trenó tudo que passou em sua vida, por melhor que tenha sido, mas que hoje não faz mais parte do seu presente.

 

Mãe, eu não odeio meu pai... e nem a namorada dele

Todos nós temos amigos ou parentes que passaram ou estão passando por uma crise conjugal ou que acabaram de se separar. Infelizmente, muitos casamentos terminam quando aparece uma terceira pessoa.

Nosso maior problema é pensar que a terceira pessoa é a única responsável pela separação do casal. Acontece que, esta terceira pessoa, pode ter sido apenas a gota d’água para o final de um casamento que já estava frio ou havia sido requentado.

Dizem que quando um casal se separa, mesmo após ter ficado junto por dez anos ou mais, que o casamento não deu certo. Eu, particularmente, não vejo deste modo. Um casamento que durou dez anos, ao terminar, não diria que não deu certo, afinal durou dez anos, deu certo por longos dez anos e isso é muita coisa para a geração atual. Até a geração dos meus avós eu diria que os casamentos eram feitos para durarem eternamente. Mas a nossa realidade tem mudado com o passar do tempo. Os casais não são tão mais tolerantes como antes; explodem-se por pouca coisa; vivem ocupados e preocupados; perdem muito tempo com a internet e com as redes sociais, no lugar de cuidarem um do outro; não namoram mais como antes, pois vivem em festas, eventos ou rodeados de pessoas; passam pouco tempo juntos, pois, embora estejam no mesmo local, trocam a companhia um do outro por telas de computadores, de televisão, de tablets, de smartphones, de notebooks e mais todas as telas que conseguirem inventar para ocupar a vida de pessoas que não querem mais interagir com pessoas reais. Estamos trocando um abraço real, um beijo, um carinho ou um encontro por curtidas e emojis.

 É comum que uma separação motivada pela existência de uma terceira pessoa deixe mágoas, cicatrizes e certa sede de vingança. Mas essa fúria inicial tende a melhorar com o passar do tempo. Ocorre que há pessoas que se prendem a essa dor por anos e anos, chegando ao ponto de não pensar em mais nada a não ser na mágoa gerada pela traição do outro cônjuge. E quando este casal teve filhos em comum, torna-se difícil afastarem-se completamente. E esta convivência, em razão dos filhos, pode ser interpretada, pelo cônjuge que não concorda com a separação, em uma esperança. Essa esperança quando não se transforma em realidade, em muitos casos, vira uma grande desilusão regada a ódio.

O cônjuge inconsolado, contrariado e se sentindo menosprezado, tende a querer que os filhos sintam a mesma raiva que ele e não consegue ver, num primeiro momento, que os filhos também têm a sua dor, seja com a separação dos pais, seja pela ausência diária de um deles. E quando a raiva atinge um determinado patamar, principalmente quando o cônjuge que se sente abandonado e ainda inconformado vê que o seu ex-cônjuge está levando sua vida adiante e na companhia da pessoa que ele julga ser o pivô da separação, a única saída será jogar sua ira nos filhos, caso estes venham aceitar esta terceira pessoa.

Os filhos passam a ter muito medo ao se encontrarem com o pai ou a mãe que está seguindo sua vida ao lado de uma nova pessoa. É um medo de magoar o pai ou mãe abandonado; é um medo de vir a gostar desta nova pessoa; é um medo de ver o pai ou a mãe feliz com esta nova pessoa, e é um verdadeiro terror saber que, ao chegar em casa, o pai ou a mãe lhe fará um verdadeiro interrogatório: onde foram, como esta nova pessoa te tratou, como ela é com seu pai, o que ela conversa, o que eles comeram, o que ela vestia, o que ela disse sobre mim... A vida destes filhos não é fácil, é tensa, triste e chega a ser revoltante. É um caroço na garganta que tem sede de sair e gritar aos quatro cantos: mãe, eu não odeio meu pai, ele se separou de você, mas não de mim... Mãe, a pessoa que está com ele não é má como você me disse. Mas, na maioria dos casos, essa vontade de gritar ficará muda pelo medo da pessoa que mais deveria passar segurança, a própria mãe ou o pai.

 

Nunca sonhei em ser madrasta

Quando criança, pensávamos em ser delegada, aeromoça, modelo e, um dia, achar um príncipe encantado, casar-nos e ter filhos... Nunca sonhávamos e nem sequer conheci alguém que sonhou em ser madrasta.

Mas a vida nos prega peças, a vida dá voltas e, às vezes, surpreende-nos com coisas boas e ruins.

Quando nos casamos, não pensamos, em um primeiro momento, que iremos nos separar; as separações acontecem por motivos totalmente alheios à nossa vontade. Não imaginamos, ao nos casar, que as despesas irão gerar discussões, que os parentes não serão tão amáveis quanto na época do namoro, que intrigas desnecessárias irão afastar a pessoa a quem um dia juramos amor eterno. E são infinitas e inesperadas as situações que levam casais a se separarem.

Geralmente, quando nos casamos pela primeira vez, é como se vivêssemos um verdadeiro conto de fadas e o primeiro filho dessa relação é o maior presente que Deus pode presentear o novo casal. Mas nem todos tem escolhas acertadas,  ou até mesmo sorte, e a vida de muitos casais  tomam caminhos tão diferentes e, em curto espaço de tempo, encontram-se divorciados.

Como a vida dá voltas, muitos irão tentar refazer sua vida afetiva e acabarão casando novamente, mas jamais uma mulher pensa ou procura ser madrasta, isso é uma consequência advinda do segundo casamento.

Após iniciar um novo relacionamento, onde seu mundo volta a ficar mais colorido e bonito, você tem o primeiro choque ao descobrir que seu novo príncipe encantando já tem seus próprios filhos. Naturalmente, qualquer pessoa irá querer conhecê-los, afinal são filhos do seu novo amor.

Ao conhecer seus enteados, a maioria das mulheres tentará, a ferro e fogo, agradá-los, cativá-los, dar-lhes amor, carinho e cuidar deles tão bem quanto seus pais. Jamais cogita em substituir uma mãe viva. Ao contrário dos contos de fadas, onde a madrasta entrava em cena, quando o homem ficava viúvo, aí se tornava a mãe substituta dos filhos do seu marido.

Mas hoje, separações, infelizmente, fazem parte da vida de muitas famílias. E as pessoas separadas, ainda jovens, querem refazer suas vidas afetivas.

Ninguém, em sã consciência, ao procurar um novo amor, coloca em sua lista um homem divorciado e com filhos, isso seria loucura ou puro sadismo. Mas o amor não tem endereço e nem tempo marcado, ele simplesmente acontece.

E é doloroso entrar em um relacionamento onde sem ao menos te conhecerem você já é vista como a madrasta dos contos de fadas: “a mulher que veio para abandonar os filhos que não são seus em uma floresta”.

A realidade é mais fácil se for vista do coração e não por meio de crenças ultrapassadas de que, pelo simples fato de ser uma segunda esposa, consequentemente é má e veio fazer o mal.

 

“Nunca sonhei em ser madrasta, mas se a vida me deu essa oportunidade, tentei e ainda tento, de todas as formas e com todas as minhas forças, até mesmo quando penso que não as possuo mais, em ser uma boa pessoa, em acrescentar coisas boas nas vidas dos filhos do meu marido, seja ensinamentos, exemplo ou carinho”.

 

 

Os estragos de uma separação

Quando se sobram corações estraçalhados, cacos de vidro e lágrimas no chão

É comum amigos de infância ou adolescência ao se encontrarem após quinze, vinte anos ou mais, quererem saber da sua vida, da sua profissão e da sua família. Pedem para ver retratos dos pais e dos irmãos para verem como cresceram e ficaram. Inicialmente, os amigos riem ao se recordarem das coisas boas, mas quando perguntam pelos pais e estes, após vinte anos de casamento sólido e exemplar, se separaram vem aquele choque entre os amigos, só se ouve porquês e porquês?
Geralmente falamos em crises de casamento: A primeira vem logo no início, quando o casal passa a se conhecer de verdade, nesse momento é que se conhecem as diferenças sociais, de criação, manias e defeitos. Uma simples toalha molhada largada em cima da cama todos os dias vira um dos motivos que vão se acumulando até que em menos de dois anos o casal já se encontra separado. A segunda fase é a famosa e temida crise dos sete anos, onde a relação do casal é dividida pela atenção dos filhos ou da rotina pela falta deles. E a terceira, acontece, geralmente, por volta dos quinze ou vinte anos e advém do cansaço do dia a dia, da luta para conseguirem tudo que planejaram, pela rotina, e talvez por uma certa implicação com as manias do outro, tudo fica chato, sair é cansativo, passear à noite é coisa do passado, ir para um hotel fazenda é gastar dinheiro desnecessariamente e muitos casais criam o hábito de economizar como se fossem ter uma vida eterna. É talvez nessa segunda ou terceira crise que entra uma terceira pessoa no casamento, e o homem ou a mulher, que antes estava indisposto a sair, a gastar e a passear, muda radicalmente seus hábitos e passa a fazer com no novo parceiro tudo que dizia não poder fazer devido ao cansaço ou por querer economizar para o bem da família, como fazer longas viagens, grandes compras, passeios rotineiros, comprar móveis novos, uma casa linda e sonhada, afinal com oNOVO RELACIONAMENTO a pessoa pensa que fica uns vinte anos mais jovem.
Nesse momento a revolta se instala, e junto a ela vem a angústia, a raiva, a culpa por ter economizado tanto e para outra pessoa que nem sequer conhece, a vontade de achar o culpado, as tentativas frustradas de voltar ao que era antes. Mas não vem à mente os sinais de que o relacionamento deveria ser priorizado, que o dinheiro deveria vir em prol do casal, do contrário, quando vem a separação, tudo se divide e a parte que fica com aquele que deixou o casamento vai ser utilizada a favor do novo ou nova parceira. Porém, esse novo casamento, também completará seus sete ou quinze anos e se não for bem conduzido pela segunda vez, acabará da mesma forma que o primeiro.
Os tufões e tornados: Os filhos passam a ser uma segunda preocupação e com isso, aqueles que não tem uma boa estrutura emocional podem seguir caminhos sem volta, procurar refúgio em drogas, bebidas, ou em relacionamentos destrutivos. A família começa a se despedaçar. Os aniversários dos filhos e depois de alguns anos, os aniversários dos netos, chegam a passar despercebidos. Presentes para os filhos ou netos, quando o atual parceiro do pai ou da mãe é o dominante, chegam a ser presentes meio loucos e ridículos. Os pais raramente visitam seus filhos, afinal não se tem mais uma família.
Os álbuns de aniversários são esquecidos em algum maleiro de algum guarda-roupa, não tem mais importância, a não ser tristes lembranças. A felicidade nunca mais estará presente, o sorriso sincero, o abraço de pai e filho, tudo isso fica perdido no tempo, a família é apenas uma página de um longo diário, às vezes muitas páginas, mas que ficaram no início ou no meio do diário. Pois novas páginas passam a ser escritas, com novos atores, novos lugares, passeios, sonhos, enfim, uma nova vida.
O ente que foi abandonado torna-se uma pessoa com um coração angustiado, cheio de medo, insegurança e sem esperança. Por mais que venha a constituir uma nova família, ainda assim será aquele passarinho machucado que caiu do ninho ou que dele foi derrubado. Seus filhotes voaram para lugares distantes e, na maioria das vezes, preferem fingir um distanciamento forçado que ter que olhar nos olhos daquele, seja pai ou mãe, que morreu em parte, que vive amargurado, sem aquela vontade de promover festas com churrascos e sanfoneiros, como nos tempos que os filhos ainda eram crianças e corriam felizes entre as árvores e parentes das duas famílias, pai e mãe, e sem imaginar que um dia isso tudo lhes seria tirado, seria apenas uma parte de passado triste que não vale mais a pena ser lembrado.
"Toda separação é triste. Ela guarda memória de tempos felizes ( ou de tempos que poderiam ter sido felizes....) e nela mora a saudade." Rubem Alves

 

O sonho de um vestido de noiva

Toda separação é triste. Ela guarda memória de tempos felizes (ou de tempos que poderiam ter sido felizes...) e nela mora a saudade.”

Rubem Alves

 

Casamento, ainda hoje, é o sonho da maioria das mulheres. Desde criança, sonhamos com o príncipe encantado e nos apaixonamos, pela primeira vez, com o colega do ensino fundamental. O tempo passa e, já na adolescência, criamos as mais variadas expectativas de quem será nosso príncipe encantado.

Em muitos casos, há mais desencantos e desapontamentos do que encantos. Algumas adolescentes sonham com o namorado que agradará a seus pais, outras, um pouco mais rebeldes, escolhem passar um período da vida com aquele rapaz que desapontará seus pais, como forma de protesto. E essa fase da vida é memorável e passa, por melhor ou pior que seja.

Após certa idade, já cansadas de apostar sempre na pessoa errada, de ter tantas lágrimas derramadas em vão, de ter tantos sonhos não realizados, nos tornamos menos exigentes e, aquele projeto de homem perfeito, se torna um rascunho de um homem não tão ruim.

Algumas mulheres se tornam mães ainda bem jovens, algumas se casam e outras não. Mas, muitas, infelizmente, se tornam mães e pais, devido a separações precoces. Assim, com um filho do primeiro relacionamento, e talvez outro de um segundo, o projeto de homem ideal e o sonho do vestido de noiva com o príncipe encantado vão se tornando uma realidade cada vez mais distante.

Mas, para algumas mulheres, a esperança nunca morre e continuam acreditando que um dia esse príncipe chegará, até que, um pouco menos exigentes, encontram “o cara”, porém, grande parte deles vêm como o chocolate Kinder Ovo, com uma pequena surpresinha, e às vezes estragada. São ex mulheres que jamais largarão o novo casal em paz e filhos eternamente rebeldes e alérgicos a madrastas. E o sonho do casamento perfeito se torna um pesadelo.

O tempo, como é de se esperar, continua passando, e os problemas quando muito rotineiros, se tornam hábitos e acabamos nos acostumando a eles. A ex mulher enchendo o saco já não é visto como problema, mas como parte da vida. Os enteados que não te engolem passam a ser dignos de pena, vítimas de alienação parental e você acaba gostando deles, mesmo que a recíproca não seja verdadeira.

Mas chega um dia, que o espelho, seu melhor amigo, te dá de presente de aniversário uma imagem assustadora: rugas advindas de anos e anos de luta por um casamento sofrido; seios caídos que sempre foram colocados em segundo plano para uma futura cirurgia; a pele flácida por falta de cuidados ou por falta de tempo de ser notada; a casa que nunca foi comprada, pois você aceitou um príncipe com uma primeira família, e consequentemente, com despesas dobradas. E seu vestido de noiva, ah! O vestido de noiva, a aliança cravejada de diamantes, a festa com todos os amigos e o buquê...

Assim, infelizmente, é a vida de muitas mulheres. Claro que grande parte delas tem seus príncipes encantados, o casamento perfeito, a casa linda, o vestido de noiva inesquecível... Mas, existem ainda muitas mulheres guerreiras que não abrem mão de seus sonhos, mesmo que com o tempo a vida se torna um pouco mais amarga.

E se a palavra “se” fosse algo alcançável, eu diria que muitas mulheres pensariam: E se... Eu tivesse ficado com aquele primeiro namorado.

E se... eu tivesse ouvido mais meus pais e não me casado tão cedo.

E se... eu tivesse tido forças para largar aquele casamento sem futuro, há uns dez anos atrás, ainda mais jovem, hoje talvez estaria não com um príncipe, pois não tenho mais idade para acreditar em príncipes, mas com um homem que me trouxesse ao menos,  no meu aniversário, uma rosa e quem sabe, sonhando um pouquinho mais, me desse uma aliança, não cravejada de diamantes, mas uma aliança de qualquer metal,  mas apenas com seu nome gravado nela. 

 

Afastamento involuntário da convivência entre pai e filhos

É comum que uma separação motivada pela existência de uma terceira pessoa deixe mágoas, cicatrizes e uma certa sede de vingança. Mas essa fúria inicial tende a melhorar com o passar do tempo. Esse momento que chamamos de “luto” dura de seis meses a um ano e meio. Ocorre que há pessoas que se prendem a essa dor por anos e anos, chegando ao ponto de não pensar em mais nada a não ser na mágoa gerada pela traição do outro cônjuge. A solução para tal problema é o cônjuge que deu ensejo à separação não manter contato com o cônjuge abandonado, pois isso além de reviver as mágoas, pode ser um sinal de esperança para o outro. Ocorre que, nem sempre será possível se afastar completamente do outro se,dessa união, o casal teve filhos. 
Os filhos, além de se sentirem desamparados, com medo e com a dor da ausência diária de um dos pais, ainda podem se tornar vítimas do genitor que se sente traído ou abandonado. E o problema tende a se agravar quando o antigo casal disputa a guarda dos filhos. Pois aquele que tem sede de vingança não vai abrir mão do seu filho, primeiro por amor, mas em segundo lugar, por querer o filho como uma arma e uma fonte de ligação com seu ex companheiro. Assim, o filho estando sob sua guarda, será usado como escudo e espada de guerra contra o ex companheiro. Essa vingança tem o nome de Síndrome da Alienação Parental (SAP) e está totalmente relacionada a situações onde a ruptura da vida conjugal gera, em um dos pais, uma tendência vingativa muito grande. 
Síndrome de Alienação Parental é o termo proposto por Richard Gardner em 1985 para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina pararomper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. No Brasil, esse tipo de comportamento é punido e pode gerar até mesmo a perda da guarda do filho. Segundo o artigo 2º da Lei nº 12.318/2010 que dispõe sobre a alienação parental: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.”
Uma das formas de averiguar se você está sendo vítima do SAP é observar atentamente a várias situações, como:
* No dia do direito de visitar os filhos a casa encontra-se vazia, os filhos não estão lá e não há recado algum;
* O controle excessivo das visitas e dos locais onde o genitor passará as férias com seus filhos ou os finais de semana;
* O genitor fica ausente de informações sobre a vida dos filhos: Como notas escolares, vida cotidiana, reuniões em escolas, visitas a médicos, dentistas e outros eventos sociais;
* Há casos em que o pai que não detém a guarda é surpreendido quando o filho lhe mostra o boletim escolar com a palavra: REPROVADO. Nesse caso, o filho já mostra o boletim e uma frase já treinada: “A culpa é sua por ter nos abandonado”!
* Mas a pior das ações é quando o genitor vingativo consegue sua missão, faz com que o filho enxergue o pai ou a mãe ausente como um verdadeiro monstro, um ser irresponsável e deprimente, com frases simples do tipo: Ele nos deixou, não gosta da gente, gasta todo seu tempo e dinheiro com a outra/o, ele acabou com minha vida meu filho, ele está irreconhecível depois que nos abandonou, vive com más companhias, está gastando todo o nosso dinheiro e por aí vai maldades que devem ser punidas a partir de agora.

Se você se assemelhou com o texto acima, procure ajuda judicial, não deixe que o tempo acabe com o relacionamento entre pai e filho, isso pode ficar irreparável com o passar dos anos. E cada filho é único e a ausência de um dos pais na sua formação faz muita diferença de como essa pessoa conduzirá sua vida e suas emoções na fase adulta. O pai que abusa do poder de guarda e joga seu próprio filho contra o outro, não sabe o que é amar, essa pessoa precisa de tratamento e não de apoio de amigos e parentes. Esses atos de alienação parental devem ser repudiados e punidos judicialmente. Pois ninguém tem o direito de destruir o relacionamento entre pai e filho. Não existe ex pai e ex mãe, apenas ex marido e ex mulher.