Casamentos entre classes sociais diferentes

Como dizem as pessoas “no início tudo são flores”, realmente, isso ocorre na maioria dos relacionamentos, que chamamos de namoro. O namoro dura em torno de 4 a 6 anos, depois desse período, entra em cena, os parentes e amigos, forçando ou empurrando para que um casamento ocorra. Também devemos nos lembrar dos namoros que com apenas meses ou poucos anos o casal já decide unir-se matrimonialmente. E há raras exceções, em que os namoros duram quase décadas, tendo alguns que ultrapassam dez anos.
Mas após meses, anos ou décadas de namoro é natural que o casal resolva ficar junto “até que a morte os separe”. E é a partir deste momento que tudo que era branco vira preto ou listrado. Você descobre pequenos defeitos do seu companheiro, como: “Eu não sabia que ele roncava tão alto, nem que rolava tanto na cama, detesto quando ele puxa as cobertas, odeio quando ele deixa a toalha molhada em cima da cama, não pensava que minha sogra ou sogro iriam nos visitar com tanta freqüência, não sabia dos amigos que o chamavam para dar aquela saidinha à noite e muito menos que ele detesta livros”... São descobertas e mais descobertas que conforme a intensidade do amor pode chegar a abalá-lo ou balançá-lo fortemente. Porém, pequenas divergências de costumes merecem ser engolidos ou suportados, afinal temos duas pessoas vindas de famílias e educações diferentes.
O alerta é para casamentos onde se há uma grande diferença de classe social, ou seja, uma pessoa de classe baixa se casa com uma de classe média ou de classe média alta. Nestes casos, a educação que se formou desde a infância, os bons modos, os hábitos de leitura ou estudo, o bom trato à mesa, o fino gosto por alimentos sofisticados e até mesmo o tipo de música, são fatores que, ao longo do tempo, irão pesar muito no relacionamento, pois são diferenças culturais que foram adquiridas por toda uma vida e o parceiro que é o oposto disso ficará com sua auto-estima abalada. Desse momento em diante, em que a paixão, o fogo ardente entre os lençóis diminui e a rotina e a dura realidade vem à tona, as diferenças culturais e de classes sociais irão surgir e pesar no relacionamento.
Quando é o homem que tem uma origem mais humilde, ele tende, por natureza, tentar diminuir a sua companheira. Isso é tão grave que muitos homens chegam a agredir a companheira verbalmente nos primeiros meses e depois passam às vias de fato, tudo visando diminuí-la, fazer com que ela se sinta pequena, idiota, sem qualidades. As ofensas e humilhações são tantas que a companheira chega a pensar que está no “lucro” tendo este homem com ela, pois imagina que nenhum outro homem do mundo iria enxergá-la e lhe dar o devido valor. Por isso, vemos e conhecemos casos de mulheres que eram importantes, imponentes, com uma alta estima admirável, que se gostavam e se cuidavam e depois de casadas passam a ficar deprimidas, com baixo astral, mal vestidas e muitas marcadas por atos agressivos de seus companheiros.
Já quando ocorre o oposto, ou seja, o homem é de uma classe social mais elevada que sua companheira, esta não será muito bem aceita por seus amigos e familiares, que num primeiro momento pensarão que são mulheres interesseiras. Mas com o passar do tempo, a mulher, para continuar casada, começará a mostrar suas garras, esquecendo-se que não tinha nada ou quase nada de onde veio, e largando a humildade de lado, passará a exigir, mesmo que sutilmente, tudo que nunca teve. É similar a uma criança esfomeada, que ao adentrar em uma padaria e sendo permitido comer o tanto quanto quiser, com certeza comerá até passar mal. Assim é uma mulher de classe social mais baixa. Do que ela puder usufruir, ela usufruirá e de uma forma nada natural, ou seja, gastará mais que o necessário, comprará roupas que não chegará a usá-las, trocará móveis de casa ou forçará seu companheiro a comprar um imóvel em curto espaço de tempo. Não satisfeita, ela passará a exigir que ele ajude aos familiares dela, e com isso, o homem sem perceber, já estará numa verdadeira teia de aranha, pronto para ser comido. Sem saída, o homem passa a satisfazer todos os desejos da companheira e com isso, além de desfazer de parte do seu patrimônio, passa a diminuir sua auto-estima, pensado que aquela pessoa é muito para ele. Este homem, depois de certo tempo, fica totalmente diferente do que era antes deste casamento. Passa a freqüentar ambientes nunca antes frequentados, a andar com pessoas de uma classe cultural totalmente divergente da sua e com tudo isso, acaba se tornando um homem menor do que ele é realmente.
Essas atitudes que tentam menosprezar a parte advinda de uma classe social mais alta, de diminuir o ego desta pessoa, de usurpar do seu patrimônio, distanciá-lo da sua realidade, dos seus amigos, e principalmente dos seus parentes e filhos, que são o espelho do que ele era antes de se casar com uma pessoa advinda de uma classe social menor que a dele, é uma realidade que muitos de nós ou de entes queridos estão passando ou já passaram. Quem passou e conseguiu sair vivo deste relacionamento é um exemplo de pessoa com muita garra e determinação, mas é uma pessoa que jamais será a mesma, pois o sofrimento que lhe foi proporcionado ao longo dos anos deixará cicatrizes incuráveis. Já aqueles que não têm forças para sair de um relacionamento destrutivo é uma pessoa que, com certeza, não tem uma boa qualidade de vida, não convive como antes, com seus entes queridos, pois eles são automaticamente distanciados por seu parceiro, que tentará colocar defeitos na maioria deles e a fantasiar brigas e conversas somente para evitar os parentes do companheiro(a), pois perto deles, a pessoa de classe inferior se sente diminuída, principalmente diante dos mais bem sucedidos. 
Em resumo, a pessoa que se encontra em um relacionamento com outra de classe social oposta é uma pessoa que está simplesmente deixando a vida passar por entre seus dedos, sem fazer absolutamente nada para sair do caos em que se encontra e quando resolver encarar uma separação conhecerá a origem daquele que um dia chamou de “meu bem”.
“O amor e a razão são dois viajantes, que nunca vivem juntos na mesma hospedaria: quando um chega, parte o outro”. Walter Scott