• Dois caminhos que não levam a felicidade: Viver preso ao passado ou viver preocupado com o futuro

    A vida segue sempre em frente e o tempo é o melhor remédio para qualquer mal. Viver preso ao passado, nas lembranças boas e que não voltam mais, nas decisões desacertadas e nas escolhas erradas é sinônimo de escolher o caminho mais triste a seguir.
    Ao mesmo tempo em que viver preso ao passado não trará felicidade, ter excessiva preocupação com o futuro e deixar de ser feliz hoje, também é uma decisão errônea. Claro que devemos aprender com os erros do passado, para evitar que os cometemos novamente e também é cediço que devemos viver o presente de forma serena e prevendo que o amanhã pode vir a chegar e estarmos desprevenidos, sem um bom emprego, sem uma mínima economia e sem uma família. Mas viver de forma avarenta, economizando sempre e cada vez mais para um futuro incerto, tem sua dose de ignorância.
    Esses dois caminhos, seja viver preso ao passado ou viver apenas para um futuro, nunca trará paz plena, mas apenas frustrações. De maneira consciente ou não, sempre buscamos a paz, mas nem sempre a alcançamos, talvez pelas próprias decisões que tomamos ou talvez pela própria carga que nos obrigamos a carregar. Assim, o primeiro passo para tentar ser feliz é voltar-se para o seu eu, tentar viver um dia de cada vez, dentro dos seus limites, se amar primeiro, deixar o que passou em seu devido lugar e não antecipar-se com medos ou inseguranças que talvez nem venham a acontecer.
    O mundo é por natureza um moeda com dois lados, temos os dias bons e os ruins, temos as alegrias com os nascimentos em família, mas também temos os momentos de sofrimento com a partida de entes queridos, temos a alegria de um casamento e a dor de uma separação, temos nossos filhos alegres e com vontade de colo, mas esses mesmos filhos crescerão e seguirão suas vidas, uns trarão orgulho e serão nosso espelho e imagem, outros não terão tanta sorte na vida, alguns seguirão caminhos errados e outros deixarão suas vidas antes do tempo certo. Por isso não adianta sofrer pelo que passou e preocupar-se com o que há de vir. PREOCUPAR-SE significa tornar-se pré-ocupado, ocupar-se antes da hora, ou talvez anteceder-se e sofrer por algo que não necessariamente irá acontecer.
    Quando perguntamos a um amigo, parente ou um conhecido o motivo da sua falta de paz e felicidade, ouvimos frases comuns: Me sinto triste porque fui traída. Minha vida acabou com o fim do meu casamento. Serei feliz quando adquirir minha casa própria, ou quando comprar aquele carro, ou quando meu filho passar no vestibular. Serei feliz quando conseguir esquecer o que me fizeram, o quanto me humilharam, o quanto fui magoada.
    Sempre teremos uma desculpa que irá se colocar no lugar de outra e de outra e de outra. Essas desculpas servem para gritarmos ao mundo que o outro é o culpado por nossas tristezas, fracassos, perdas, incertezas. Delegar a culpa é muito mais satisfatório e cômodo que tomar as rédeas da própria vida, encarar o problema, se é que realmente é um problema e entender que a vida sempre terá seus altos e baixos
    Devemos buscar a aceitação integral da imperfeição humana, tanto a nossa quanto a dos outros. A repulsa por nossas imperfeições e erros alheios é motivo de sofrimento. Podemos discordar do que nos fizeram, mas não podemos permitir que isso nos deixe em estado de ódio, raiva e vingança. Pois mostrar ao mundo nosso sofrimento não irá mudar o que passou e nem causar sofrimento na outra pessoa, apenas em nós mesmos. Assim, vamos tentar viver o hoje, deixar o que passou para trás e viver o futuro quando ele chegar.

  • Sentimento de vazio, mais parece um tiro no meio do peito

    O que fazer com esse sentimento de vazio que nos visita quando nos desapontamos com quem amamos ou mesmo com aqueles que, apesar de terem nos magoado no passado, receberam uma segunda chance e vimos que ela foi inútil, tudo continua como antes.
    É muito comum criarmos expectativas sobre as pessoas, principalmente àquelas que nos despertam pouco ou muito afeto, como parentes próximos ou não, chefes, colegas de trabalho, empregados e amigos. Esperamos o mesmo tratamento que damos a estas pessoas, afinal, são ao menos, para nós, pessoas queridas, a quem desejamos o bem. Porém, o mundo é ingrato e difícil de ser vivido. Você faz de tudo para que uma determinada pessoa ao menos te enxergue como você é e assim o respeite e que lhe tenha ao menos consideração por tudo que faz por ela, mas a vida não é assim, o bem que faz ou as chances que você dá para determinadas pessoas receberá em troca respostas advindas de atos de que não foi mais que sua obrigação.
    Nesse momento em que criamos expectativas nos mais variados relacionamentos e temos aquele desapontamento, o mundo parece que desaba de uma vez sobre nós, nos sentimos atônitos, o chão some sob nossos pés, e nasce um sentimento de tristeza profunda que se não formos muito persistentes com a vida e tentar seguir em frente, podemos cair em uma cama e dela levantarmos depois de muito tempo e somente com cuidados médicos. Por isso, nesses inevitáveis desapontamentos que teremos pela vida, o ideal é levar um dia de cada vez, se sobreviver a um dia, entenda como vitória e faça isso com os demais dias que se seguirem até que a dor seja cicatrizada pelo tempo.
    Esse sentimento de vazio ocorre muitas das vezes quando nos desapontamos com pessoas importantes em nossas vidas, como numa traição, um obrigado não dito, uma confiança não correspondida, um funcionário ou chefe que não corresponde às suas expectativas, um emprego que te sufoca, aqueles parentes que te cobram esse grau de parentesco no momento dos ônus, mas nos momentos dos bônus escolhem outros parentes para curtirem a vida e festejarem, amigos que ao terem uma grande ascensão social te excluem da sua roda de amizades e motivos e mais motivos para te darem esse vazio imenso no peito, que chega a doer como um início de infarto.
    Esse sentimento de vazio faz parte da nossa existência, como diz Rubens Alves: “A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta.
    A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida.
    Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito.
    E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas.
    A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas quando não são autoritárias.
    Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar.
    A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade”...

    Então às vezes sentir-se vazio lhe trará um bem futuro, pois lhe dará oportunidade de repensar relacionamentos, amizades, amores, trabalhos. E fazer como diz Rubens Alves ficar num vazio como a lagarta para transformar-se numa borboleta. Pena é que não queríamos que a vida fosse assim, e sim que as pessoas nos entendessem e ouvissem o que sentimentos. Mas devemos como lição de vida saber olhar o lado alheio, ou seja, o lado oposto.
    Se pensa: Meu chefe nunca me ouve, me critica, não me reconhece, não me elogia, não quer saber dos meus problemas... Será que você realmente está dando a ele tudo que prometeu quando entrou para a empresa de que faz parte? Será que seu chefe não tem mais problemas que os seus? Ou será que simplesmente por ser um empregador ele não tem problemas familiares, de saúde, financeiros, falta de tempo? Será que ele tem tempo para os próprios filhos, pois caso não tenha tempo nem para seus filhos, então como terá para os funcionários? Não seria cobrar de alguém algo que essa pessoa não pode te dar?
    E o filho que pensa: Meu pai não me dá tudo que mereço, ele não me valoriza, ele olha somente para dentro de si mesmo, é um vaidoso e narcisista. Eu te pergunto: Você já observou a vida que ele leva? Os tombos que levou, as perdas que teve na vida, as lágrimas que você nem viu caírem? Será que a vida dele é tão abastarda como pensa? Ou está vendo um pai que não existe?
    Quando o empregador espera do empregado mais que este pode dar, infelizmente o empregador deve se conformar que colocou uma pessoa maior que o cargo, ou quando o empregador não aumenta o salário ou as condições daquele funcionário imprescindível na empresa, sendo que este assim trabalha insatisfeito, será que não falta nesse caso uma comunicação direta, pois não estaríamos diante de uma pessoa maior que seu cargo?

    “Na mitologia grega, a mãe de Eros, o desejo, é a Penúria, a falta. Sabiamente, os gregos colocavam a carência como a origem de tudo que desejamos na vida. Para eles, esse gosto de escassez, de insuficiência, de insatisfação é a grande faísca que dá partida às nossas ações, planos e sonhos”, diz a professora de mitologia Helenice Hartmann. Se formos observar, esperamos da vida e das pessoas mais do que elas podem nos dar ou querem nos dar e isso é uma das causas desse vazio no peito. O ideal é tentar achar e conviver com pessoas que pensam como nós, que tem os mesmos princípios e ideais de vida. Pois quem sabe assim seja possível ser feliz?